quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dama da Noite.

Vem me buscar Dama da Noite.
Fiz da minha vida um sentido que não é meu.
Estou tão cansada...
Esta doação cansa demais.
Me permita, te imploro: fraquejar!
Eu te peço, pois me foi negada a canção, a canção da vida.
Não posso ouvi-la, senti-la, perceber sua vibração ou por uma
pequena fração de segundo: ser feliz.
Te imploro então Dama da Noite: me leva. Me leva na tua capa pela noite
afora, me leva enfim desta vida sem sentido.
Que não me levem a sério, não me importo.
Que digam que zombo. Meus olhos trazem a resposta que estou livre pra vc.
Vem me buscar Dama da Noite, morte amada, espero poder confiar em vc pois
não quero mais voltar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Beber de ti é a embriaguez mais lucida, torpe e apaixonada que já senti.


“Sempre acreditei que, para além da antropofagia directa, há outra forma de devorar o próximo: a exploração do homem pelo homem. Neste sentido, a história da humanidade é a história da antropofagia. Isto obriga-nos a um compromisso activo. Em primeiro lugar, temos a obrigação de não permitir que nos ceguem, pois se nos deixam cegos, comportar-nos-emos, ainda mais do que agora, como membros de um rebanho, um rebanho que avança até ao suicídio.”

“Jose Saramago, El pesimista utópico"

Clarice, sempre dizendo por mim.


“Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas.
Me entupo de ausências, me esvazio de excessos.
Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."
Clarice Lispector.