sexta-feira, 28 de março de 2014

O que o poeta faz quando o poema acaba ?


Você não sabe o que eu quis captar naquela imagem, não, não sabe.
Os significados, os dizeres, as cores multifacetadas, a captura exata e ao mesmo tempo imaginária do infinito.
Olhos que não enxergam não captam a mensagem, dizem somente: adorei essa foto!
Essa adoração é rasa e ate inescrupulosa perto do amor expresso ali em pixels.
O que a imagem te faz sentir agora?
Silencio. Será mesmo o desprezo o avesso do amor?
Do avesso esta meu coração depois que você o tirou do sol.
Minha mente só capta lembranças. Lembranças de amor.
Aqui agora está frio.
E chove no limiar da minha esperança.
No batente da porta dos meus olhos uma poça continua, que atrevida se demonstra em público como agora.
As pessoas que me olham (mas não me vêem) olham o raso.
Talvez só olhem a dor, mas o amor ainda esta aqui amarrotado em uma gaveta do peito.
Um pensamento assustador me toma: talvez você não volte para encher de luz meus cantos escuros, secar a poça dos meus olhos, colocar minha alma ao sol.
Dor. Aquela que trava o peito e impede de respirar.
Procuro uma imagem na caixa de lembranças: seus olhos.
Consigo então sentir o ar novamente, o ar mentiroso que me mantém submissa a sentimentos controlados, me mantém viva.
E a foto continua lá lhe dizendo tudo o que disse quando a captei: eu te amo.
E o que o poeta faz quando o poema acaba?
Quando não entendem seu poema? Fica esse corte. Está doendo.
Chupo meu sangue e ele tem seu gosto.
Corte. Gosto e fim do poema.