domingo, 23 de outubro de 2011

Rascunhos, Um Ano.

Faz um ano hoje.
Meu blog completando um ano de existência.
Ainda me lembro nitidamente quando comecei e
Por que.
Influenciada por duas pessoas muito importantes
Na minha vida, ambas com seus blogs já.
Muita vida eu coloquei aqui.
Um pouco de morte também.
Muito, infinitamente muito amor foi digitalizado aqui.
Muito eu já tinha escrito, mas o fato do blog existir me impulsionou a escrever mais.
Tenho consciência de que não fui lida por muitas pessoas e que a maioria não me entendeu.
Também sei que provoquei muita gente.
Fiz algumas pessoas felizes, mas fiz triste também.
Meu caderno virtual de notas rascunhadas.
Por isso a escolha do nome rascunhos, eu mesma não tinha a pretensão de ser mais que isto, mas se tornou para mim um canal de expressão de vida.
Quem quiser me conhecerá por aqui.
Um pouco não tudo.
Alguns me disseram que o blog só era um meio de exposição, de aprovação do que escrevo e aqui mesmo respondi a isto: escrevo por necessidade.
Amo por necessidade.
Usei o blog para esmiuçar meu amor, minha dor, minhas dúvidas, minhas desculpas, meu perdão, enfim, o rascunho, o rascunho de mim mesma.
Um rascunho que ainda se aprimora como deve ser um rascunho.
Hoje um rascunho de dor.
Quem sabe amanha? Dor e mais alguma coisa...
Conheci uma jovem que me disse que religião é tudo aquilo que vc se dedica, sendo assim, meu blog também é minha religião.
Sei que poderia me dedicar mais a ele, com certeza, como a tudo um pouco mais na minha vida, mas lembrando: eu sou só um rascunho.
Um rascunho de amor, de dor, de provocação e intensidade, um rascunho de vida.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ela se foi, meu amigo.

Ela se foi, amigo.
Eu sei o que vc esta sentindo e sei que mesmo minha presença do teu lado não vai amenizar sua dor.
Ela se foi, amigo.
Sinto sua dor na voz, nos olhos, no corpo e posso senti-la em tua alma.
E por isso não te digo nada. O silêncio é amigo da dor.
Mas vou te abraçar muito. Ficar do seu lado. Em silencio, mas junto.
Ela se foi, amigo.
E independente de qualquer religião nos sabemos que ela não quer que vc sofra.
Por que ela trouxe vc a este mundo para aprender e hoje foi a
última lição que ela te deu.
Com o mesmo carinho das primeiras lições no caderno escolar.
Ela pegou na sua mão e te mostrou como era.
Ela se foi, amigo.
Foi para aprender outras coisas ou ensinar a outras pessoas.
Foi e talvez volte logo, mas pra vc, amigo, ela se foi.
Perder alguém que foi sempre uma referencia na nossa vida
nos deixa inseguros, com medo.
Alguém que perdoou o seu pior erro e te aplaudiu na sua melhor vitória.
Alguém que esteve sempre a teu lado. Como eu hoje.
Procuro preencher o espaço físico desta pessoa tão especial.
O espaço da alma, meu amigo...
Ela se foi, meu amigo.
Mas ainda existem aqui no nosso plano muitas pessoas que te
amam e querem ficar do seu lado, seja de que maneira for.
Ela se foi, meu amigo.
Vamos desejar a ela a melhor viagem, com paz e amor na alma.
Ela se foi, meu amigo.
Mas a vida continua para nós que ainda não completamos nossa
viagem que ainda temos tanto o que errar, acertar, perdoar, enfim,
Viver.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Erro.




Tentei pedir desculpas.
Tentei escrever algo bonito.
Tentei comprar uma flor.
Tentei acender um sol.
Tentei tornar o dia feliz.
Putz, eu tentei ser feliz!
E tudo isso pra concertar o meu erro.
Sem concerto, sem desculpas,
Sem palavras bonitas, sem flores,
Sem sol e sem dia feliz...
Enfim, eu apenas continuei triste.
   

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mãe.



Depois de muitos meses ouvi sua voz de novo.
Foi foda pra mim.
Eu tinha a opção de não atender. Eu sei.
Mas meu coração estava tão triste hoje, necessitando de um
Abraço. E por que não pensar (afinal seria o mais obvio) que este abraço poderia partir da pessoa que me colocou no mundo...
Mas meu coração só ficou mais triste.
As pessoas diziam antigamente que nós brigávamos por que éramos iguais, hoje eu sei: nunca fomos e nem seremos iguais.
Tem um mundo que nos divide e nos distingue.
Durante muitos e muitos anos eu inocentemente contei com seu amor, e como hoje, às vezes minto pra mim mesma e conto de novo.
“Vc sabe quem esta falando? Vai, me responde... Quem esta falando?”
Ter que pronunciar a palavra: mãe foi para mim como um soco no estomago. Saiu seca e com dor.
Todos os dias eu me questiono onde e como eu posso melhorar como mãe, todos os dias... e mesmo assim eu erro pra caralho.
Você, mãe, desistiu de mim.
Isso é só a verdade. Doa a mim mesmo, por que é só a mim que
vai doer.
Eu desse jeito idiota não consigo desistir das pessoas.
Mais uma vez eu queria que tudo fosse tão simples.
Simples assim: que eu não me importasse que vc desistiu de mim.
Simples assim: que eu pudesse amar vc sem magoa.
Simples assim: que eu aceita-se que vc foi na medida da pessoa que vc é o que eu merecia ter de uma mãe.
Mas não seria eu.
Multifacetada. Complicada. Cabeça Pulsante, pensante...
Me perdoe mãe. Por vc eu queria não ser eu neste momento.
Há poucos dias eu fiquei muito mal por disser a uma pessoa cuja mãe esta no leito de morte: “Deixar partir, também é amor.”
Eu aprendi essa pequena lição nesta jornada.
Eu sei que um dia terei que lhe dizer adeus, ou talvez vc diga primeiro a mim, mas antes disto eu te peço: me deixe partir...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pequenos Momentos de uma Pauta Fotografica


Ela usava chapéu não para fazer charme como mesmo anunciou, mas sim para esconder uma cicatriz na testa, passou por duas cirurgias, quase morreu na primeira, mas continua lutando com a doença...
E sorri como uma criança. Uma criança com mais de 50 anos. Chama seu homem de amor.
Rimos juntas quando falaram que a pedra do seu lindo anel (feito por ela mesma) atraia coisas ruins.
A família nunca aceitou sua alternativa de viver de arte, muitos anos depois foi essa mesma família que necessitou dela para cuidar do pai doente, o mesmo pai que tanto a criticou...
Faz as coisas lentamente como se fossem quebrar.
Diz não acreditar em nenhum Deus.
Um anjo me soprou ao ouvido para que eu dissesse a ela:
“Não fique magoada com sua família, na maioria das vezes eles pedem desculpas em silêncio.”
Ela sorri infantilmente de novo, concordando.
Damos risada da cor de algo, da loucura de outro, do ninho de passarinho na janela...
Na hora da despedida ela me abraça forte, posso sentir a energia boa, energia essa que nenhuma pedra de anel de qualquer cor que seja: diminui.
Energia de calor, de sol, de criança.
Me despeço com uma quase triste certeza: não a verei mais.
Pequenos momentos eternos de uma simples pauta fotográfica.

Ouvindo De Novo :Nando Reis - Pra Você Guardei O Amor