segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Pequenos Momentos de uma Pauta Fotografica
Ela usava chapéu não para fazer charme como mesmo anunciou, mas sim para esconder uma cicatriz na testa, passou por duas cirurgias, quase morreu na primeira, mas continua lutando com a doença...
E sorri como uma criança. Uma criança com mais de 50 anos. Chama seu homem de amor.
Rimos juntas quando falaram que a pedra do seu lindo anel (feito por ela mesma) atraia coisas ruins.
A família nunca aceitou sua alternativa de viver de arte, muitos anos depois foi essa mesma família que necessitou dela para cuidar do pai doente, o mesmo pai que tanto a criticou...
Faz as coisas lentamente como se fossem quebrar.
Diz não acreditar em nenhum Deus.
Um anjo me soprou ao ouvido para que eu dissesse a ela:
“Não fique magoada com sua família, na maioria das vezes eles pedem desculpas em silêncio.”
Ela sorri infantilmente de novo, concordando.
Damos risada da cor de algo, da loucura de outro, do ninho de passarinho na janela...
Na hora da despedida ela me abraça forte, posso sentir a energia boa, energia essa que nenhuma pedra de anel de qualquer cor que seja: diminui.
Energia de calor, de sol, de criança.
Me despeço com uma quase triste certeza: não a verei mais.
Pequenos momentos eternos de uma simples pauta fotográfica.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário