domingo, 27 de abril de 2014

Perdi.

Foto: Alberto Korda
Eu tentei de todas as formas que eu conhecia.
Talvez não conhecesse muitas e tão eficazes formas.
Esgotaram-se minhas fichas.
A dor que sinto agora é aquela fudida.
Aquela que parece que dói tudo no corpo da gente.
Fugi com a voracidade de um faminto e  com a astúcia de um larapio.
Busquei não desistir das pessoas.
Pedi perdão mesmo quando certa (atitude milenar das mulheres).
Cedi abraços a estranhos.
Encontrei pessoas totalmente desoladas pelo mal que eu mesma fugia e lhes dei atenção,
aquela atenção que dá cola ao coração.
Tentei impregnar de delicadezas meus atos.
Tentei amar mais ou quem sabe não mais, mas melhor.
Mas...
Encontrei uma lista que fiz a cinco anos atrás.(não façam essa idiotice).
Uma lista de desejos. Foi ao ler essa lista que cai.
Um deles em particular me fodeu de vez:
“Que minha mãe saiba que eu a amo antes de ir embora.”
Não importa a idade que se tem a gente estica a ideia infantil de que nossos pais nunca vão morrer.
A gente amadurece e aprende a esconder-se dessa verdade.
Ela foi embora sem saber.
Os outros itens da lista, todos...
O relógio esta correndo, a chaleira apitando e porra nenhuma mudou.
(a não ser eu mesma).
Já que perdi (ato que nunca consegui aceitar totalmente, principalmente quando perdia uma pessoa) quero perder com dignidade.
Assumindo: perdi.
Perdi, abaixei minha bandeira, me entrego de braços abertos e coração sangrando, mas me leva logo, não fica desfilando comigo em praça pública.
Só consigo pensar no último item da minha lista:
 “Que entendam que todos os meus erros foram por amor.”
E isso não é um pedido camuflado de desculpas. Não.
Amar faz a gente errar muito. Faz magoar muito.
Faz viver muito. E porra... perdi.