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| Foto: Alberto Korda |
Eu tentei de todas as formas que eu conhecia.
Talvez não conhecesse muitas e tão eficazes formas.
Esgotaram-se minhas fichas.
A dor que sinto agora é aquela fudida.
Aquela que parece que dói tudo no corpo da gente.
Fugi com a voracidade de um faminto e com a astúcia de um larapio.
Busquei não desistir das pessoas.
Pedi perdão mesmo quando certa (atitude milenar das
mulheres).
Cedi abraços a estranhos.
Encontrei pessoas totalmente desoladas pelo mal que
eu mesma fugia e lhes dei atenção,
aquela atenção que dá cola ao coração.
Tentei impregnar de delicadezas meus atos.
Tentei amar mais ou quem sabe não mais, mas melhor.
Mas...
Encontrei uma lista que fiz a cinco anos atrás.(não
façam essa idiotice).
Uma lista de desejos. Foi ao ler essa lista que cai.
Um deles em particular me fodeu de vez:
“Que minha mãe saiba que eu a amo antes de ir embora.”
Não importa a idade que se tem a gente estica a ideia infantil de que nossos pais nunca vão morrer.
A gente amadurece e aprende a
esconder-se dessa verdade.
Ela foi embora
sem saber.
Os outros itens da lista, todos...
O relógio esta correndo, a chaleira apitando e porra
nenhuma mudou.
(a não ser eu mesma).
Já que perdi (ato que nunca consegui aceitar
totalmente, principalmente quando perdia uma pessoa) quero perder com dignidade.
Assumindo: perdi.
Perdi, abaixei minha bandeira, me entrego de braços
abertos e coração sangrando, mas me leva logo, não fica desfilando comigo em
praça pública.
Só consigo pensar no último item da minha lista:
“Que entendam
que todos os meus erros foram por amor.”
E isso não é um pedido camuflado de desculpas. Não.
Amar faz a gente errar muito. Faz magoar muito.
Faz viver muito. E porra... perdi.
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