Não peço mais
perdão.
Não procuro
mais nenhuma mão.
Não quero
mais o frio ou o quente.
A sensação de
emoção ou realização.
Estou
anestesiada.
A dor que
cultivei tanto em todos esses meses agora parece pequena.
O esforço
para respirar, não magoar ou ser magoada, amar e buscar o amor já não faz mais
parte das necessidades diárias.
Esgotaram-se
as doses de amor para esta vida.
As doses de
alegria, entusiasmo e esperança.
Não procurem
nos bancos da vida, pois esse liquido que
pouco e fino
escorre agora em minhas veias não é mais encontrado.
A quem sentir
raiva de mim por sentir-se abandonado, não se iluda, vc nunca necessitou de
mim. Eu te mostrei alguns caminhos e livros e nada mais. A história é sua.
As inúmeras pessoas
que magoei peço que se lembrem das inúmeras vezes que também as fiz bem.
A quem sentir
que fez tudo por mim e achar que eu não reconheci e agradeci, eu o fiz de
diferentes e estranhas formas.
A quem
sensivelmente sentiu a dor em meu peito, e que de alguma forma secou minhas
lágrimas, não pense que poderia ter feito algo a mais.
As doses de
amor se esgotaram para mim nesta vida.
E é muito
claro que “sem amor eu nada seria.”
Continuem
nesta estrada que eu tanto tropecei, caiam quantas vezes por necessário, mas
sigam. Sigam acreditando em si mesmos.
Sigam
procurando o amor em cada esquina e ao encontrá-lo não deixem que suas doses sequem.
Brindem a
cada sol que se deita no horizonte a vitória ou derrota do dia, mas sigam, com
coragem (a qual nunca tive) e amor.

