domingo, 30 de janeiro de 2011

Fragmentos de Uma Saida Fotografica.


Acredito que o que mais me seduz nesta profissão é a falta de monotonia
E a possibilidade de conhecer e lidar com pessoas de todos os tipos.
Volta e meia esbarramos na superficialidade, na banalidade, em pessoas que
Vivem única e exclusivamente a imagem que querem projetar ao mundo.
Existem momentos de revolta com tamanha futilidade, é claro, tem-se que manter o
Espírito sempre atento e consciente do que realmente tem valor.
Os valores das pessoas são muito diferentes. Mas os momentos sublimes são quando
Aprendemos da vida com quem menos se espera.
Acredito que os fragmentos falem melhor do eu, e assim decreto o fim do meu
Silêncio: dizendo pouco, fragmentado, mas de muito valor.

“Uma senhora de camiseta furada, destas de propaganda de tinta, preencheu
Um lindo sobrado amarelo das cores, formas e sonhos em formas de tecido.
Me perdi como se nadasse em nuvens de tecido, que lindas cores, desenhos,
Sensações de tecidos diferentes. Um bebê chora sentado no chão brincando com
Restos de pano. A senhora fala do sucesso do seu blog que conta histórias de vida
Simples, receitas de pratos deliciosos do dia -a –dia. Um esposo silencioso querendo resgatar a receita que fazem seus olhos brilharem: Arroz de Braga...
Uma família linda unida e trabalhando muito. “Trabalhamos muito pra chegar aqui, mas chegamos...”

“O tamanho do seu corpo impede muitos movimentos. Todos os poucos movimentos são então calculados. Milimetricamente. Mas a mente poderia dar piruetas, cambalhotas, saltos mortais... Mas não... “Esse fundo de tecido roxo, não sei não, acho que não vão gostar! Um guardanapo dobrado virado pra foto? Que estranho isso! (Acreditem o fundo e o guardanapo eram indiscutivelmente lindos!)."

"Um conjunto de jantar de 24 peças por R$ 5.000,00. Pra que, se você não
Tiver pessoas maravilhosas para chamar para o jantar? E sendo estas maravilhosas que importância tem o valor dos pratos?"

"Um perfume para comida. Muda ligeiramente o sabor. Frescurinha total!"

"O carro que não tem óleo e água: para!"

"A mulher baiana! Maravilhosa! Orgulho de seu lugar! Ri de si mesmo, quer colocar pimenta em tudo que encontra. Acha engraçado quando as pessoas dizem:
- Que baianada é essa? Só para provocá-la. Se pudesse abraçava o mundo, aprendia tudo, abraçava todos... Linda pessoa baiana! Encontrou um conterrâneo como assistente na foto que não gosta que o rotulem de baiano, e como isto é tão idiota para ela nem percebeu!  Goiás é pequeno para vc! Fran. Bahia. Baiana."

" Parada para abastecer:Torta, salmão e purê de ervilha. E o purê era ótimo, acredita?"

"Um cão labrador que só entende inglês. Chora com medo da chuva.
Não passou nos testes para guia de cegos ou rastreador. Motivo: Feliz demais,
Falta foco! Que lindo cão bobo..."

"Uma torta dueto, um Arrumadinho de Feijão, Uma costela, Eram seis viraram
Duas: bistecas, Purê de ervilha e... Enfim: o fim: a Pizza."

"Cansaço, Exaustão. Sono e... Fotos Lindas!"

"Vozes de anjos, anjos novos, anjos velhos, que mágico! Todas compiladas na mais
Atual tecnologia! Todas as pessoas tinham que poder ouvir. Privilégio cedido a nós."

"O melhor fragmento desta saída fotográfica: “ Não tenho pressa para nada. Tudo Tem seu tempo. Não me culpo mais. Se não deu certo a culpa não foi minha.”
Sabedoria de um homem de 68 anos falante, vibrante de vida, que respira música e se obriga todos os dias a fazer o que gosta."

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

Florbela Espanca


Saudades! Sim… talvez… e porque não?…
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até a morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?… Ah! Como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim
!

Florbela Espanca

Dedicado aos Lindos Homens que Estiveram em Casa (Amigos do Pedro e agora meus)



'Mulheres existem para serem amadas, não para serem entendidas. '

Vinicius de Moraes.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Relatos de Uma Saida Fotografica II / A confiança.



Conheci uma mulher especial neste final de semana.
Uma mulher forte.
Como sempre as pessoas sentem em mim uma atração irresistível
Em falar de si.
As pessoas confiam em mim. É louco isso.
Mas eu sei dar muito valor a esta confiança.
Como sempre escuto atentamente, avalio os gestos, as tonalidades de voz, o poder de cada confissão.
E bebo esta confissão com gratidão por tê-la merecido em poucas horas, ou em um sorriso sincero.
O mais impressionante de tudo é que a mulher em questão e digo mulher por causa da sua força e não simplesmente pessoa, se mostrou a mim: frágil...
Pois é, a vida já me bateu demais para que eu aprende-se a ver a força na fragilidade. Ela chorou, contou suas dúvidas, seus medos, a alegria por seus filhos, de um convite especial para andar na praia, enfim, acredito que contou quase tudo... mas me contou o suficiente para que eu me senti-se responsável por minhas palavras.
E como sempre eu passei esperança, força, fé e determinação.
E sei que obtive sucesso. Ela ficou leve, veio logo depois àquela aflição: “mas por que estou te dizendo tudo isso?”...
Porque tinha que ser dito e um anjo soprou em seus ouvidos que ela poderia confiar em mim. (Confiança esta que continua intacta aqui, preservado neste texto as denominações).
Entre outras coisas que disse a ela a que tenho certeza que mais a tocou foi:
“Vou te contar uma coisa que nem mesmo vc sabe, mas eu já sei de vc:
Vc é forte! O fio condutor da sua vida esta em suas mãos, valorize isto.”
O mais incrível desta história é que como podem as pessoas desconhecidas confiarem em mim e os que são para mim os mais caros, as pessoas que mais amo, as mais importantes: não confiam.
Armadinhas da vida, um sarcasmo do comportamento humano digno de Wood Allen. 

sábado, 8 de janeiro de 2011

Eles por mim



Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.



Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora
 
Willian Shakespeare
 
 
Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.
 

Vladimir Maiakóvski



sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Safo, 1855.

O Amor
“O amor, esse ser invencível, doce e sublime
que desata os membros, de novo me socorre.
Ele agita meu espírito como a avalanche
sacode monte abaixo as encostas. Lutar
contra o amor é impossível, pois como uma
criança faz ao ver sua mãe, vôo para ele.
Minha alma está dividida: algo a detém aqui,
mas algo diz a ela para no amor viver...”
Safo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tim..

"Com esta mão, eu espantarei suas tristezas.
Com esta vela, iluminarei seu caminho na escuridão.
Sua taça nunca ficará vazia, pois eu serei o seu vinho.
E com essa aliança, eu peço a você que seja minha."
A Noiva Cadáver.

Vermelho Vinho

Sinto a falta do alimento, alimento que cumprindo sua função me nutre.
Sinto o tecido da pele frágil e o da alma dolorido.
Às vezes fecho os olhos e procuro na escuridão que criei me nutrir. Nutrir de pensamentos, sensações, emoções... Saudades...
Toca um som estridente em meus ouvidos agora.
Por que eu ainda prefiro os vinhos que descem pegando?
Por que o mesmo vinho tem sabor diferente na minha boca e na tua?
A pessoa de traquejo simples pergunta: qual o melhor sinônimo para renascer?
Eu tinha que estar ali para ouvir isto... Na hora me
bombardearam vários sinônimos, mas por que eu tinha que ouvir aquilo?
Será que renasço hoje? Quem sabe? Depende da quantidade de medo introduzida na veia no café da manha...
Podemos discutir por horas tantos assuntos quanto caiba em nossas tempestuosas e iluminadas mentes inteligentes, mas, no entanto, eu sempre fujo...
Perco-me em um gesto diferente, em uma palavra que quis dizer outra, em um sorriso de canto de boca, na beleza singular de uma menina correndo pela casa...
Tudo parece novamente ter perdido o sabor, o genuíno sabor, o tão precioso sabor conquistado... O vento parece agraciar somente as folhas do meu mosso, não chega ao meu peito, não varre essa dúvida que talvez esteja crescendo velozmente aqui dentro do ventre.
E o vinho continua descendo pegando, uma, duas, três, quatro, quantas garrafas forem possíveis para mergulhar essa dor em vermelho vinho.
 

A espera

Parece as vezes que o futuro trava.
As perspectivas são nulas.
As buscam não chegam nunca!
Esperar, esperar, esperar!
Não agüento mais esperar!
Essa espera me tortura, me fustiga, me castiga das piores maneiras.
Que porra eu tenho que aprender com isso? Porra nenhuma!
Tenho tantas imagens na minha mente!
Tanto a criar! Tanto a sentir-me feliz e produtiva!
Eu demorei tanto tempo para me conscientizar de que eu era
Diferente mesmo, que eu posso mais... Tanto medo me fez
Duvidar disto por tantos anos... Mas de que adianta a certeza?
Se tenho que esperar, esperar, esperar.
Infantilmente me vejo no direito de dizer:
- Eu odeio esperar!

sábado, 1 de janeiro de 2011

A esperança.


E novamente tudo se inicia.
Estamos realmente atados a este circulo infinito?
O ser puro em sua jovem plenitude ficou ansioso para o novo ano que se iniciava.
Tantos planos!Algumas promessas... Alguns desejos mirabolantes.
Mas não ouso censurar. Seria como cortar a doçura, não acreditar na poética.
E vamos combinar que esperança faz bem a alma, a alimenta.
Por vezes a tortura, pois somos seres humanos inquietos e queremos
Impor datas, metas, esquadrilhar nossas esperanças, torná-las reais:
Amanha...
Mas sabemos que não é bem assim.
Ah e o tempo? O safado do tempo.
E é claro as frases que torturam: “ Tudo tem seu tempo” ou “Dê tempo ao tempo”.
Ah não é assim mesmo com a esperança... Ela é voraz, sem limites...
E como eu, não passou nenhuma vez na fila da paciência...
Mas esse circulo realmente não é infinito.
Ele finda na morte. E para ela todos caminhamos.
Falar de morte hoje, eu sei, que falta de censo, mas eu acho que a morte também tem sua beleza, tem muita vida na morte e o fato de não esquecê-la só torna o tempo
mais filho da puta.
Por que ai começamos a correr atrás da esperança para concretizá-la antes que
A morte chegue! Ufa... Como foi difícil dizer isto! Sai de um todo!
E as favas então com: Dê tempo ao tempo! Na boa: que se foda!
Vamos correr mesmo atrás da esperança, concretizá-la nem que seja em um
Milésimo de segundo todos os dias, uma pequena ação, um gesto imperceptível,
Uma palavra, um poema, um desabafo.
Pois meus queridos a vida finda. E temos que dar algum sentido a esta que esta
Nos sendo presenteada neste momento.
Então caminhem apressados, não deixem de olhar as arvores, os pássaros,
Ouvir a música, fazer fotos, dar um abraço aqui ou acolá, lembrar de molhar
O mosso, de dizer: eu sinto sua falta, mas não parem, por favor.
Mesmo que os ridículos te censurem, te critiquem, não te entendam, digam
Que vc é afobado, que não sabe esperar, que não tem paciência, andar depressa sem poder correr já é um puta exercício de paciência. As favas com todos eles.
Se não puder correr: ande depressa.
Se não puder voar: plaine.
E diga aos atolados na lama do tempo: Estou vivendo meu camarada.