quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Uma flor que morreu um dia desses








O choro que cega deixa tudo colorido.
A dor de amor que aperta o peito.
Os olhos, ah os olhos... meu pequeno lago castanho.
Se eu soubesse que aquele seria meu mergulho definitivo
demoraria-me mais nele, faria acrobacias e pararia
no ar somente para prolonga-lo.
A pele responde aos anos que marcam, as cicatrizes
que não somem do amor que não termina.
O sol zomba feliz lá fora, mas aqui dentro esta tudo escuro.
Eu aprendi a andar nesse escuro, já não tropeço,
mas ainda choro.
Choro por qualquer motivo infinitamente sensível:
uma pequena folha que voa, a criança que chora,
o poema que é triste,o final que é de amor...
Tempos de coração dilacerado, tome cuidado, por favor,
essa flor já morreu um dia desses,luta para permanecer
no jardim, menos vistosa e vibrante que as outras,
mas lá agarrando-se a um pequeno resto de raiz.
E os idiotas perguntam: ela esta doente?
Não. O que ela tem então?
Amor... só amor.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014





Teu lado Bukowski me faz sorrir atrevida.
Teu lado Neruda, quase inconsciente,
me faz te bater no rosto e dizer: cafajeste.
Teu lado Chico diz o melhor que a dor de mulher diz:
“Mas depois, como era de costume, obedeci”,
e submissa espero as próximas palavras: 
Rasgando o papel ou martelando o teclado.
Dos que mais me provocam neste oceanos de palavras:
Eles e Elas.
Ou o que sobrar de vertigem na fumaça da minha cheirosa loucura.

Um café, também.





Abraço com as mãos a xícara de porcelana para aquecê-las,
o frio corta os lábios fora da cafeteria e o vento assobia nas janelas.
Na xícara: cappuccino, café pela necessidade urgente e viciosa
da cafeína e o toque de chocolate para amenizar a tristeza
que se agasalha em mim.
A moça que pediu o café com leite, depois de mim, solicita: cafémaisdoqueleite e pãodequeijomaisassado.
Assim como eu gosta das coisas que faltam pouco para
passar do ponto,para se perderem, para virar um fim,
biscoito torrado, panela com fundo queimado.
Aquele ponto gostoso do “quase se perdeu”.
Cru jamais, meio termo enfadonho, no ponto normal,
quase perdido: delicia.
Tomo meu café a goles pequenos,a moça que é apreciadora
de gostos como o meu já foi embora.
Quando deveria apreciar o café, o ponto do seu pão de queijo... Sugou tudo correndo. Talvez uma família a espere em casa,
um jantar, um filho ou simplesmente tenha o prazer de parecer atarefada, atrasada a outros olhos e ao encarar o frio da rua, caminhou devagar, ajeitou o cachecol no pescoço e a passos
miúdos assumiu sua solidão.
A cidade liquidificador a absorveu e ninguém vai prestar
atenção a seus olhos tristes.
A outra moça a minha frente também já acabou seu café
(ou terá sido um chá?), mas continua na mesa falando
animadamente ao celular.
Quer mostrar a todos o quão feliz esta, esbanjando um sorriso largo,dá uma risada alta e todos olham para ela
que não repara.
A felicidade nos torna egoístas, egocêntricos e invejáveis.
Chegou meu momento final, termino meu cappuccino e sem dó
coloco o pequeno torrão de biscoito colocado estrategicamente
no pires na boca.
É meu adeus a mais um café solitário.
A mais uma diversão de vitrine humana.
A outro rabisco.
A mais um fim de papel

Não vou chorar.








Não vou chorar.
Não vou chorar.
Eu não tenho culpa.
Não vou chorar.
Não vou chorar.
Porque eu não tenho culpa se te desejo.
Não vou chorar.
Porque sonho com tua boca e acordo feliz.
Não vou chorar
Porque quando eu estou sozinha é quando eu sinto mais você aqui.
Não vou chorar
Pela fome insana da tua boca.
Por querer morder tua nuca, lamber sua orelha, fugir dos teus olhos.
Não vou chorar.
Eu não tenho culpa.
De querer mais que uma história feliz.
De querer tudo. Tudo em você e de você.
Não vou chorar.
Por querer que me coma, me engula e me deixe exausta.
Não vou chorar.
Por querer tudo isso sozinha.
Por ser essa uma ilusão da minha cabeça torpe.
Não vou chorar.
Por não existir mais amor em você.
Por não importar modo, maneira ou dia da semana  que faça você me querer.
Eu, não vou chorar.
Não vou chorar. Não.
Não vou chorar.
Não por amar você.