segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um café, também.





Abraço com as mãos a xícara de porcelana para aquecê-las,
o frio corta os lábios fora da cafeteria e o vento assobia nas janelas.
Na xícara: cappuccino, café pela necessidade urgente e viciosa
da cafeína e o toque de chocolate para amenizar a tristeza
que se agasalha em mim.
A moça que pediu o café com leite, depois de mim, solicita: cafémaisdoqueleite e pãodequeijomaisassado.
Assim como eu gosta das coisas que faltam pouco para
passar do ponto,para se perderem, para virar um fim,
biscoito torrado, panela com fundo queimado.
Aquele ponto gostoso do “quase se perdeu”.
Cru jamais, meio termo enfadonho, no ponto normal,
quase perdido: delicia.
Tomo meu café a goles pequenos,a moça que é apreciadora
de gostos como o meu já foi embora.
Quando deveria apreciar o café, o ponto do seu pão de queijo... Sugou tudo correndo. Talvez uma família a espere em casa,
um jantar, um filho ou simplesmente tenha o prazer de parecer atarefada, atrasada a outros olhos e ao encarar o frio da rua, caminhou devagar, ajeitou o cachecol no pescoço e a passos
miúdos assumiu sua solidão.
A cidade liquidificador a absorveu e ninguém vai prestar
atenção a seus olhos tristes.
A outra moça a minha frente também já acabou seu café
(ou terá sido um chá?), mas continua na mesa falando
animadamente ao celular.
Quer mostrar a todos o quão feliz esta, esbanjando um sorriso largo,dá uma risada alta e todos olham para ela
que não repara.
A felicidade nos torna egoístas, egocêntricos e invejáveis.
Chegou meu momento final, termino meu cappuccino e sem dó
coloco o pequeno torrão de biscoito colocado estrategicamente
no pires na boca.
É meu adeus a mais um café solitário.
A mais uma diversão de vitrine humana.
A outro rabisco.
A mais um fim de papel

Nenhum comentário:

Postar um comentário