Você me segue, mas não corre pra mim.
Você diz dissimuladamente com essa nova face feliz que me
protege, mas sabe como me ferir.
Você desenha mundos, planetas, estuda mapas, calcula as
distancias, mas se eu virar de pronto te assusto.
Você dança a dois, coreografa, estuda a luz do palco, escolhe
parcerias, prepara as sapatilhas exaustivamente, sensualmente insinua um tango
pegado, mas esta na sintonia das minhas lágrimas.
É você não quer apertar o gatilho, mas me ensina a manusear a
arma.
Tange o arco ao limite, tenso, seco, mede o vento, mas não solta
à flecha.
Me seduz mas não fode comigo.
Me alimenta mas não sacia minha sede de vinho.
No limite.
No limite da minha pouca razão, no limite da minha loucura
expressa, impressa, que assusta que faz as pessoas pensarem: uma suicida em
potencial...
Um animal acuado que olha no olho do caçador.
Você me ama, mas finge me odiar.

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