terça-feira, 16 de julho de 2013

Eu quero água.




Minhas palavras são uma resposta ao lamento de amor.
Aos longos dias cheios de lamentos.
A tristeza expansiva é cheia de arroubos, comovida, doída.
É a tristeza certa para os poetas, só é poeta quem sabe sofrer.
Descobri que sofri tanto, tantas foram as minhas tristezas demonstradas em
lágrimas que pareciam nunca findar, mesmo quando chorando em silêncio,
chorando sem lágrimas, chorando com um sorriso para que os que não sofrem
não me identificassem, mesmo assim... hoje sofro diferente.

Meu sofrer é seco. Ah sim as lágrimas ainda vem,como agora,mas são duras.
Como se um deserto se apodera-se de mim.
E o pior dessa nova dor é que aos outros ela não parece dor,não que eu tenha que justificar a alguém minha dor, não... Foda-se os outros!
Os que me rodeiam sabem que sempre fui composta de boa parte dela,
que a vida em mim tem um bocado de morte também.
Ah se eu pudesse esvaziar também meu coração e minha cabeça...
Como dói pensar tanto!
O que me é injetado na veia todos os dias é a dureza escrota da vida,
empurrando a poesia como uma pedra gigante empurra a água,empurra para os cantos de mim e vai transformando tudo em deserto,em dor seca e rude.
O prazer doloroso aconteceria á mim como um presente vertiginoso se eu consegui-se me despir de eu mesma, estancar o grosso fio que me nutre de dureza,
despir de secura, do mormaço que fere os olhos e ser toda água!
Ah eu me transbordaria em tanto prazer e o doloroso que trás o cansaço do corpo, a sensação de ter travado uma luta corporal e suada, assim o amor não seria contido, invadindo nossos corpos, nossos poros, sua alma...

Ah, como eu queria nos regar todos os dias...
Já deixei tanta vida pra trás, tanta vida que em um fragmento de tempo eu deixei escorrer das mãos...
A mesma água que anseio,que desejo com dor,angústia e amor,me escorre pelos dedos.

E não vira poesia, pois não remete a dor.
É seca. E ninguém gosta de dor ou poesia seca.