Eu
sempre quis ter uma máquina de escrever.
Daquelas
que a gente guarda na caixa.
Sempre
achei a maquina de escrever uma peça linda e cheia de mistérios, sou do tempo
que se trocava a fita da máquina.
Do
tempo do curso de datilografia.
“batem
depressa, disciplinados e decididos os dez dedos delgados da datilografa
dinâmica.”
Sim
eu aprendi a datilografar com os dez dedos, o que de nada adianta quando não se
tem algo importante para escrever.
Escrever
sempre esteve na minha historia.
Meu
primeiro sonho juvenil: ser jornalista.
Claro
depois daqueles sonhos bobos que toda criança tem: veterinária, sonho que logo
abandonei, pois os gatos não gostam de se aproximar de mim... Depois veio o
encantamento pela psiquiatria, desvendar os misteriosos labirintos da mente humana,
quando calculei o tempo de formação... passei a me interessar então pela
psicologia por que todo mundo me dizia que eu era uma boa ouvinte, que dava
bons e sensatos conselhos, e eu louca para alguém querer me ouvir!Mas ai
comecei a ler o psicoterapeuta Roberto Freire, o primeiro livro: um choque, o
segundo, o terceiro, o quarto e definitivamente desisti da psicologia.
E
como Clarice Lispector continuava a me embebedar da sua loucura: o que eu mais
queria mesmo era: escrever.
Bem
não fiz jornalismo nem qualquer outra coisa que me aproximasse da escrita.
Quando
realmente pude ter a oportunidade de
Fazer
um curso de graduação acabei escolhendo o que me assassinou os sonhos de
faculdade: administração.
Quem
vc conhece que fez administração e é feliz? Me diga por favor!
De
novo me vi sem saída. E aquele sonho gostoso da juventude ainda mora aqui no
peito, lógico sem os mesmo devaneios de antes, mais racional, mas tão somente
ainda um sonho.
E
agora o vírus da fotografia me contagiou.
Totalmente
contaminada!
Penso,
respiro e absorvo fotografia.
E o
que mais me apaixona nela é a total liberdade! Em fotografia vc pode tudo!
Não
tem certo ou errado, tem foto e pronto!
Me
assusto como qualquer adulto frente ao novo é claro, e me questiono se vai dar
certo ou será apenas mais uma viagem minha...
Não
sei. E as pessoas dizem: Pra que fazer
Faculdade
de fotografia? Não precisa...
Ah,
infinita pequenez das pessoas!
A
faculdade seja ela de que titulo seja, a que profissão te remeta, é muito
importante,pois te treina, exercita, apaixona,aprimora e te fuzila o cérebro de
informação, te faz pensar e sendo assim sentir-se vivo.
Hoje
quando escuto meu filho em fase de vestibular responder o porquê escolheu fazer
História: conhecimento! A pequena menina dentro de mim dá pulos de alegria,
afinal é isso, é simples assim, porra, viver é adquirir e transmitir
conhecimento, pra isso vale a pena as noites em claro, o gasto com livros,
Xerox, condução, os lanches rápidos, a roupa velha, os tênis surrados, os
infinitos cafés...
Então
por favor, não me questionem ou julguem, pois eu só quero me sentir viva, e se
você ainda esta pensando naquela faculdade...pense que o livro só tem sentido
quando é lido, e quanto mais lido melhor.
Permita
que leiam o seu livro da vida.