domingo, 12 de fevereiro de 2012

De Saramago para Fabio Goulart /www.filosofiahoje.com


 

“Estava claríssimo que as desigualdades se iriam intensificar que um abismo nos ia separar.
E não é só o abismo do ter: é, também, o abismo do saber.
Porque o saber está a concentrar-se numa minoria escassíssima.
Estamos a repetir, mutatis mutandis, o modelo da Idade Média, em que o saber disponível estava concentrado numa gruta de teólogos, uns poucos mais, o resto era uma massa ignorante.”
Saramago.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Charles Bukowski.

Andreas Heumann
"Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.''

Perto.

Brassai /1949.

A distância para alguns é relativo a algo especificamente geográfico, para alguns já não é bem assim, realmente pode-se estar muito perto fisicamente e muito distante dos caminhos sinuosos do coração.
Mas como já disse/escrevi outras vezes o amor é egoísta.
Não é o único de seus defeitos, talvez o mais difícil deles.
O amor quer perto. O amor quer agora. O amor é Demais nunca Suficiente.
O amor como todo bom amante precisa do físico e do emocional na mesma justa e injusta proporção.
E sendo assim a distância geográfica vai sempre pesar.
Vai faltar aquele abraço naquele momento exato.
Vão sempre faltar horas no relógio físico e exigente do amor.
Os amores antigos sustentados a cartas são mera literatura.
É claro que a vida leva a caminhos diferentes e por vezes não congruentes com seu amor, mas são as escolhas novamente.
Essas escolhas fazem vc ser quem vc é.
E escolher por mais duro e injusto que isto possa parecer, até cruel, outro defeitinho das facetas do amor, escolher estar perto e saciar a fome inesgotável do amor é a melhor das opções.
Desta vc nunca ira se arrepender, simplesmente por que te torna vivo entre muitos zumbis.
A escolha pode estar definida na sua mente e talvez esta mesma escolha faça vc esperar, o que o amor te cobrará com muitos juros, mas é essencial que vc escolha estar perto quando for o momento da decisão.
Tempo. Amor. Espera. Escolhas. Vida.
A mais plena, contraditória e deliciosa: vida.
A vc que me entendeu (poucos eu sei, a incompreensão faz parte do meu eu): se tiver coragem: viva.
E viva perto.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ana Jácomo e Annie Leibovitz

Cate Blanchett por Annie Leibovitz

“Que os sensíveis sejam também protegidos.
Que sejam protegidos todos os que vêem muito além das aparências.
 Todos os que ouvem bem pra lá de qualquer palavra.
Todos os que bordam maciez no tecido áspero do cotidiano."
                                                Ana Jácomo .

Espero.

Saul Leiter 1958

Fico olhando as letras no teclado. Brinco com elas.
Finjo que vou usá-las, mas não vem...
Busco então objetos que sempre me inspiram: caderno e lápis bem apontado,
De preferência apontado com estilete.
Mas...
O chão de meu coração esta seco de palavras.
O sol castiga a pouca vegetação que ainda insiste em viver aqui.
O sol que cega os olhos. No final da tarde existe sempre a esperança de chuva.
Mas ela também não parece muito inspirada.
E os dias somam-se sol a sol. Secura a secura.
E este sol que frita meus sentidos torna tudo sem graça como que vestido de uma capa protetora de mormaço.
Eu sei que é passageiro. Aprendi a esperar sem contar os dias do calendário.
Demorei muito a aprender que esta seca vem sempre e sempre passa.
Enfrento este sol o olhando de frente e desafiando este mormaço com minhas únicas armas: a palavra, o papel, o lápis ou o rascunho digitalizado.
Recebo postais de outros que como eu também já viveram os períodos de seca e hoje transbordam em lindas palavras seus cadernos, digitais ou não, cheios de nuvens, de chuva, de ar e de vida.
Eu? Eu espero. Espero a pequena brisa leve de chuva ou um temporal, de olhos abertos desafiando o céu eu espero.
Se puderem esperem também.