quarta-feira, 12 de junho de 2013

Livro





A gente sempre acha que o outro vai entender.
Que vai ler nos seus olhos mareados de dor.
Que o seu abraço apertado vai contar o quanto vc não quer se esse abraço termine.
Que mesmo muito distante o outro saiba exatamente o  que vc esta  sentindo.
A gente se acha transparente. Meio que conta com isso. E ai fica esperando...
Esperando que o telefone enfim toque.
Esperando braços abertos.
Esperando  um beijo longo e sincero.
Esperar dói.
Não ser transparente dói muito mais.
Enfim, se sou um livro, sou daqueles difíceis de ler,
aquele que a gente pega quando dá um tempinho,
que qualquer outra coisa te tira à atenção,
aquele que pede toda hora o dicionário,
aquele complicado de levar na bolsa,
aquele que vc sempre perde o marcador,
aquele que vc já começou várias vezes e nunca consegue terminar.
Descobri que também dói ser livro não lido.


sábado, 8 de junho de 2013

Eu quero continuar doce.

Alberto Korda
Ontem eu sangrei.
Fiquei olhando o sangue escorrer pelos dedos e no meu eterno instinto infantil levei o ferimento a boca.
Mas desta vez o gosto do sangue veio diferente pra mim.
Percebi então que a mudança foi tanta que até meu sangue ficou mais pegado.
Nestes dias meus olhos transbordaram lágrimas novas.
De dores novas misturadas com dores velhas.
Olho para o que meu caminho produziu. Olho e nada vejo.
Olho nos olhos da pessoa que gerei. Olho e vejo uma distancia que me amordaça.
Li nas entrelinhas virtuais um plano de sonho.
Um sonho de uma vida nova. Nova com alegrias velhas.
Me perdi sonhando com cada plano daquele futuro. 
Como seriam meu amanhecer, minhas tardes e minhas longas noites.
Será que mereço esse futuro?
Sou eu ainda doce o suficiente para acreditar em um futuro de felicidade?
Não terá essa dor que não cessa e tanto se intensificou esses dias afogado minhas esperanças?
Eu queria poder olhar em seus olhos e ver meu futuro.
Nada vc me diria, eu leria ali, simples e lindo como a iris de seus olhos.
Como sentir a areia da praia entre os dedos, a deliciosa fúria do mar batendo nas pernas, o sol ah o sol nos aquecendo para sempre tornando nossas peles douradas como uma nova capa.
Mas o gosto do sangue me traz de volta a mim mesma, a essa que agora tem sangue pegado, que é mais rude e seca, que procura intensamente continuar doce.