sábado, 8 de junho de 2013

Eu quero continuar doce.

Alberto Korda
Ontem eu sangrei.
Fiquei olhando o sangue escorrer pelos dedos e no meu eterno instinto infantil levei o ferimento a boca.
Mas desta vez o gosto do sangue veio diferente pra mim.
Percebi então que a mudança foi tanta que até meu sangue ficou mais pegado.
Nestes dias meus olhos transbordaram lágrimas novas.
De dores novas misturadas com dores velhas.
Olho para o que meu caminho produziu. Olho e nada vejo.
Olho nos olhos da pessoa que gerei. Olho e vejo uma distancia que me amordaça.
Li nas entrelinhas virtuais um plano de sonho.
Um sonho de uma vida nova. Nova com alegrias velhas.
Me perdi sonhando com cada plano daquele futuro. 
Como seriam meu amanhecer, minhas tardes e minhas longas noites.
Será que mereço esse futuro?
Sou eu ainda doce o suficiente para acreditar em um futuro de felicidade?
Não terá essa dor que não cessa e tanto se intensificou esses dias afogado minhas esperanças?
Eu queria poder olhar em seus olhos e ver meu futuro.
Nada vc me diria, eu leria ali, simples e lindo como a iris de seus olhos.
Como sentir a areia da praia entre os dedos, a deliciosa fúria do mar batendo nas pernas, o sol ah o sol nos aquecendo para sempre tornando nossas peles douradas como uma nova capa.
Mas o gosto do sangue me traz de volta a mim mesma, a essa que agora tem sangue pegado, que é mais rude e seca, que procura intensamente continuar doce. 

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