sábado, 28 de dezembro de 2013

" Sem amor (é claro) eu nada seria."



Não peço mais perdão.
Não procuro mais nenhuma mão.
Não quero mais o frio ou o quente.
A sensação de emoção ou realização.
Estou anestesiada.
A dor que cultivei tanto em todos esses meses agora parece pequena.
O esforço para respirar, não magoar ou ser magoada, amar e buscar o amor já não faz mais parte das necessidades diárias.
Esgotaram-se as doses de amor para esta vida.
As doses de alegria, entusiasmo e esperança.
Não procurem nos bancos da vida, pois esse liquido que
pouco e fino escorre agora  em minhas veias não é mais encontrado.
A quem sentir raiva de mim por sentir-se abandonado, não se iluda, vc nunca necessitou de mim. Eu te mostrei alguns caminhos e livros e nada mais. A história é sua.
As inúmeras pessoas que magoei peço que se lembrem das inúmeras vezes que também as fiz bem.
A quem sentir que fez tudo por mim e achar que eu não reconheci e agradeci, eu o fiz de diferentes e estranhas formas.
A quem sensivelmente sentiu a dor em meu peito, e que de alguma forma secou minhas lágrimas, não pense que poderia ter feito algo a mais.
As doses de amor se esgotaram para mim nesta vida.
E é muito claro que “sem amor eu nada seria.”
Continuem nesta estrada que eu tanto tropecei, caiam quantas vezes por necessário, mas sigam. Sigam acreditando em si mesmos.
Sigam procurando o amor em cada esquina e ao encontrá-lo não deixem que suas doses sequem.

Brindem a cada sol que se deita no horizonte a vitória ou derrota do dia, mas sigam, com coragem (a qual nunca tive) e amor.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Último Pedido.



Sigo nesse corredor branco.
Corredor que leva ao meu fim.
Sigo olhando em frente, não tenho do que ter vergonha. 
Às vezes olho para as portas que estão no decorrer deste corredor.
As portas são as atitudes que tomei e as que deixei de tomar.
As pessoas que conheci e as que perdi.
Meu medo esta lá.
A alegria que um dia eu tive tanto, também.
Tem uma porta com minhas poesias empilhadas.
E os sonhos que não concretizei também.
Tem uma porta com seu nome.
Estremeço ao passar por ela.
Meus algozes, que gentilmente me conduzem pelo corredor, me questionam sobre meu último pedido.
E sorrindo penso mesmo que minha vida às vezes foi realmente um filme, mais drama que comedia, mas filme.
Não penso nos livros que não li.
Nas músicas que não ouvi.
Nos quadros que não vi, na poesia (a melhor) que não escrevi, na imensidão do mar batendo em mim, que sempre me foi insuficiente.
Não tenho o que pensar. Meu último pedido é simples: você.
Peço seu corpo e com ele um amor urgente.
Peço seus olhos castanhos. Peço suas mãos em mim.
Peço a sensação plena de estar viva: você sobre meu corpo.
Peço todas as suas caricias, seus pedidos, seus gemidos, seu fazer amor com amor.
Teu gosto e gozo eternizados em mim.
O que mais posso querer que tenha realmente válido a pena?
Você é o motivo pelo qual caminho tão lentamente neste corredor e ao mesmo tempo é tudo o que quero no final dele.
Serei eu então um ser tão miserável assim a ponto de não ser atendido meu último pedido?
Seu amor e sua clemência.
Afinal, o que é o amor senão um pedido final.
      

  

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Eu.


Eu não chapo.
Eu não fico bêbada.
Eu não saio do chão.
Eu não danço.
Eu não consigo achar graça.
Eu não me sensibilizo.
Eu não choro quando corta.
Eu não desligo.
Eu não surto.
Eu não grito.
Eu não molho.
Eu não digo.
Eu não gozo.
Eu não faço bons poemas.
Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, você diria.
Egoísta? Esquizofrênica? Estúpida?
Não. Eu...

Eu só não sei mais amar.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Hoje



Hoje foi um daqueles dias: fatais.
 Aquela sensação de aperto no peito.
Aquela intuição que é mais forte do que qualquer verdade,seja ela dita, escrita, ouvida ou sentida.
Nunca desprezei minhas intuições. Essa parte fêmea que latente pulsa nas
veias de mulher ferida.
Eu também espero. Espero também sem esperança, mas espero.
Mas hoje, especificamente hoje, (e não é por que não fez sol ou por que
o cachorro uivou de madrugada) eu sinto que minha espera é absurda.
Vc esperou o final de ano para limpar as gavetas das minhas lembranças.
Elas foram para o lixo com outras coisas que vc havia guardado por que eram
Importantes. Hoje não mais.
Vc colocou sua alma pra secar no sol, secar as pequenas gotículas de mim que ainda a molhavam, quase um sereno, um orvalho.
Vc sacudiu os tapetes junto com minhas mais lindas poesias, voaram como poeira fina.
Aquela sensação do meu corpo sobre o seu hoje vc tem que fechar os olhos para lembrar, para ficar mais nítido, pois estão  embasados no vidro do seu coração, como janelas que escondem o frio lá fora.
Talvez vc esteja fazendo muita força pra não pensar, lembrar ou sentir novamente.
Talvez não. Talvez o dia agitado, as pessoas duras, o transito, o assassinato da flor estejam ajudando vc a não pensar. A não sentir-me mais.

Eu também tenho feito vida sozinha. Mas uma vida que não se vive.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Logo





Meu doce menino, o amor muda sim a gente.
Mas o verdadeiro amor muda a gente pra sempre.
E muda infinitamente para melhor.

O verdadeiro amor te amplifica.

Te cutuca e ferida e depois te cuida.
O verdadeiro amor não faz você deixar de ser quem é.
Ele faz vc descobrir quem você é.
O verdadeiro amor revira suas gavetas, bagunça sua cabeça e te
faz suar frio.
É vertigem, mas também é paz.
O verdadeiro amor a gente não esquece, mesmo quando ele acaba de um dos lados, por que é infantil pensar que um amor verdadeiro possa se esquecer.
Ele estará sempre nas suas doces lembranças e nas não tão doces também.
Por que o verdadeiro amor é real e assim sendo é bem e mal.
Espera meu doce menino... logo,logo esse amor brota dessa terra seca.
Logo, logo o sorriso volta a iluminar seu rosto menino e seu coração de homem.
 



Replica Pedro Bau:

Esqueço.

Entoa teus desejos na manhã silenciosa, no burburinho do café, no caos dos transportes, anseias baixinho na esperança que alguém a escute. Algumas cristalinas se voltam, pensas que são respostas, mas só são olhos vazios, rápidos ou vagarosos que espiam seu exterior.

Olhos que evidenciam corpos
Corpos que evidenciam almas
Almas que suplicam justificativas
Justificativas que já se perderam do início.

Início, pra ele, sentimento escreve
Início, pra ela, coração aquece
Justificativas, e um deles,logo mais, esquece.




terça-feira, 29 de outubro de 2013

Última Rodada



Lá vem aquela angustia. A garganta seca. Molho a boca.
Tudo fica mais brilhante. A mente frenética pulsa.
Sintomas. Quando chegam a este ponto não tem mais como retroceder.
Saudade e Medo.
Saudade do que não vivi e medo...  o de sempre. O mesmo. O que paralisa. O foda.
Olho para o céu na expectativa vã de uma resposta. De um som.
A lua hoje não me diz nada também me ignora.
Eu sei: silêncio. Um oco profundo e ácido.
Minha mente são cartas que blefam comigo. Jogam contra mim. E sempre vencem.
Saio da mesa cansada, esgotada e como sempre: não sei perder.
Eu não quero ser sensível assim.
Eu queria tanto esquecer também. Seguir em frente.
Mas não posso fingir que vivo assim: morrendo.
Alguém pode me ensinar a fingir felicidade? Só para não incomodar.
Eu tento respirar, mas a dor esmaga meu peito, aperta, dilacera, corta como papel novo,
 como palavras antigas dizendo: vc nunca muda.
Mas nem a lua quer ver o quanto eu mudei, se cobre de nuvem e me evita.
Eu queria ser racional, lógica, humana, rir de mim mesma, mas eu só sou: mulher.
Perdi nas cartas, no dadinho, na forca e...
Alguém topa jogar com o perdedor da última rodada? 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Série Cartas de Despedida: Destinatário: Cesar Augusto Castilho.



Tenho sonhado com vc muito esses dias e por isso vc foi o escolhido para receber a primeira carta.
Não é uma questão de predileção ou qualquer outro motivo, a realidade é esta mesmo: tenho sentido sua falta.
E por que uma carta? Porque essas cartas que ainda virão?
Por que me lembrei de como é boa a sensação de receber uma carta, é, pode parecer nostalgia eu sei, mas hoje em dia ninguém mais escreve, manda ou recebe cartas, cartas mesmo destas que a gente recebe pelo correio: com envelope, remetente e destinatário. Igual a essa que estou te enviando.
Lembrei do calor no coração quando a carta chega, a emoção de rasgar o envelope, de ler a letra da pessoa que vc gosta, seus garranchos, suas paradas, sua pontuação irregular, suas novidades tudo... Tudo pode conter em uma carta.
Escrevo essa carta pra vc, maninho por que vc é muito importante pra mim.
Cartas como esta somente para pessoas muito importantes, como vc.
É eu sei que vc anda magoado comigo, com toda razão, mas te peço: não me julgue.
Apenas respeita minha saudade e ouça com o coração livre o que eu tenho pra te dizer.
Sonhei com vc coisas boas, sonhei com seu sorriso, com suas piadas sutis, com esse jeito de vc ser vc. E senti tanta saudade que fui procurar fotos suas no computador, a sim, a tecnologia nos ajuda na saudade, não no quesito sentimentos/cartas, mas na saudade sim.
A tecnologia é fria, as cartas são paixões ambulantes, que saem do correio viajam pelas pernas dos carteiros e chegam até sua caixa de cartas, ou seu porteiro, até vc, as cartas são manuseadas por muita gente antes de chegar a vc, por isso tem uma energia diferente e viva.
Mas vamos agradecer a tecnologia que me possibilitou ver suas fotos. Cara, quanto mais velho vc fica mais parecido com nosso pai vai ficando também. Eu sei que vc já deve ter ficado de saco cheio de ouvir isso um montão de vezes.
E sei que durante muito tempo vc procurou ocupar o papel de pai em nossas vidas.
E ocupou. E muito bem que vc saiba disso. Por que vc, maninho, nasceu pelo menos nesta vida para ser pai. Tarefa das mais árduas e satisfatórias também.
Vc doou tanto tempo da sua vida sendo um pai para suas irmãs, para seus sobrinhos, hoje para seus filhos, também já foi pai pra nossa mãe e pra sua esposa também.
Mas meu amado irmão, apesar de vc estar magoado comigo, de não concordar com minhas escolhas, o que eu tenho pra te dizer vem do mais profundo amor que sinto por vc.
Não consigo me lembrar de vc chorando.
É isso: chorando.
E esta constatação me deixou muito triste. Vc vem sendo forte há tanto tempo meu maninho que se esqueceu como chorar.
E esta não é uma mensagem daquelas simples tipo: homem também chora, não é muito mais que isso!!
Vc merece chorar! Chorar de alegria, de tristeza, de cansaço, de revolta, de amor, de angustia, de saudade, chorar pra chorar, enfim: chorar.
Eu te peço meu amado irmão: chora! Desaba esse choro contido ai dentro do teu peito, afrouxa essa alma séria e pesada de responsabilidades e vida e chora!
Chora, por que vc merece meu irmão. Vc merece tudo de mais sincero na vida.
Ninguém vai te julgar ou te achar mais fraco, tua força não vem da falta de choro vem da tua essência e essência também necessita ser aguada.
Te receito então, eu que sou péssima no quesito irmã e companheira, te receito:
Choro três vezes na semana. E que não seja escondido. Que seja do lado de quem vc mais ama.
Uma pena não poder ser do meu lado. Eu te abraçaria forte como há muito tempo a gente não se abraça (desde que morávamos na mesma casa) e choraria com vc. E ficaria muito feliz de vê-lo chorar.  Por que maninho vc é o melhor no papel que a vida te escolheu. Só falta chorar.
Aproveita a carta. Guarda com carinho. Releia-a de vez em quando. Pensa em mim de vez em quando, não haverão mais cartas nem pedidos, te deixo em paz.
Em paz pra chorar!

Te amo eternamente.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Pulsando, ainda.



Flor arrancada pela raiz. O cheiro da terra eternizado em suas mãos.
Choro arrancado do peito. Da dor mais intensa. Às vezes mudo. Às vezes em soluços.
Uma explosão de luz que cega, que fere e castiga os olhos.
Um corte profundo na pele. Que sangra. Que faz ver os ossos.
Um trote agarrado à crina. Um cavalgar com as mãos soltas implorando para cair.
Um medo infantil e aterrorizante. Um grito seco. Às vezes oco. Às vezes ensurdecedor.
Um amor que se mata aos pouquinhos... Bem lento... Ferindo ali onde ninguém mais conseguiu ou sabe ferir.
Uma morte plena. Um cheiro de morte. Um gosto de morte. Um desejo de morte.
Uma morte apenas. Um amor apenas. Um amor desprezado. Assassinado.
Mas que continua pulsando como as coisas que não se explicam: são.
Vivo mas morto. Pulsando, mas só de dor.
Um cancro eterno. Uma ferida que não cicatriza. Apenas um amor. Dessa e de outras vidas.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Balé no escuro.


A pele envelhece a passos largos e é com olhos tristes que a
acompanho envelhecer.  
Tantos adjetivos posso aqui citar, quantos toques,
perfumes  e  arrepios .
Cada um tem seu cheiro de pele, como um enigma
Que te desvenda quando no amor se faz suar.
O suor de quem se ama é doce.
É, eu tento, mas a Sra. Tristeza vem me sussurrar:
De todas as peles que senti.
Todas que beijei.
Todas que desenhei caminhos com minha língua.
Todas que com desejo toquei.
Nenhuma.
Nenhuma se compara a sua.
Pois a mistura da tua pele na minha é a receita certinha do amor.
Nossa engrenagem de peles roçando são o balé mais tenso, inebriado e lindo. Um balé no escuro onde a vibração de nossas peles é que nos faz encontrar.
A magia das peles infelizmente se desfaz quando duas peles que são apenas uma resolvem se rasgar.
E a lembrança da pele é nula, pois pele é tátil e exige ser tocada todos os dias.

Descobri que a pele amada envelhece devagar.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Árvore.

Telma Castilho

Telma Castilho


Seis da manha.
O sol já entra forte pela janela. Um cão late feliz no quintal do vizinho.
E os bem-te-vis acusadores fazem uma revoada bem próximo a minha janela:
Bem-te-vi! Bem-te-vi! Passarinho denunciador.
Mais uma noite insone.
Mais uma tentativa da minha mente agir racionalmente. Pensar racionalmente.
Inútil.
A dor não cessa. Sinto como se uma árvore gigante estivesse crescendo dentro de mim.
Os galhos dessa árvore tentam furar as paredes do meu peito.
As raízes cada vez mais grossas abrindo espaço, rasgando meu coração.
De repente uma lufada de vento leva as folhas da árvore para minha mente.
Rodopiam varrendo a minha tentativa de lucidez. E então a dor fica nítida. Tensa.
Como um doente que tenta esconder seu câncer fecho os olhos e tento dormir.  
Inútil.
Minhas lágrimas alimentam essa árvore. A nutrem com seu sal, com minha dor.
Eu juro que queria aceitar. Entender que essa árvore é muito mais forte que eu.
Muito mais viva. Mas meu espírito relutante e contestador luta e tenta mais uma vez: dormir.
Inútil.
A batalha recomeça com os primeiros raios de sol furando a cortina.
E a único pensamento racional que tenho é: tenho perdido todos os dias para a árvore. 



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Edward Weston

Esta escuro. Já não vejo.
Minha visão se guiava pelo horizonte da iris de seus olhos .
Silencio. Já não escuto.
Nem mesmo um estampido, um som oco. Nada.
Meus ouvidos eram nutridos pela música do teu arfar colado neles.
Minha boca esta seca.
Era seu beijo que me saciava.
Rins. Esôfago. Pulmões.
Todos gélidos. Sem ação.
Minhas mãos já não são mais artistas, sua melhor obra era pintar, esculpir, passear e
Desvendar o seu corpo.
Minha mente atrofiou. Vc a instigava alimentava e a tirava do limbo.
Meus pés estão plantados.
Não seguem a frente, tentam dar um passo atrás. Um só. E ... nada.
Pois se o futuro é mesmo o presente espichado já não há mais presente.
Vc fez as malas.

Não esta aqui. Agora. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Aperta.


Um forte cheiro de vomito.
Bolor. Uma pasta gosmenta de onde saem micróbios que parecem perdidos entrando e saindo das narinas, boca e ouvidos.
Aquele cheiro acompanhado do tremor das pernas que a gente só sabe qual é,  tem nojo, mas não consegue identificar o que é.
Uma massa fétida, um sangre preto escorrendo na via.

Eu. Meu peito.

Eu. Minha cabeça.

Eu.
O que restou do meu coração recolhido em pedaços desconexos por estranhos que compelindo sua ânsia amontoaram ali no canto.
Eu.
O que vc deixou sobrar de mim.
O vento sibila: Hoje eu não consigo dizer, mas eu vou conseguir...

Com um sol forte que cega o que sobrou pra eu ver, vejo seus olhos zombeteiros brincando com as palavras como uma pistola dentro da minha boca, tem apenas uma bala, mas vc não tem mais medo, 
cisca o gatilho e joga na “nuvem”sua felicidade nova e viva, sem gorduras, sem arestas, sem nada complicado pra resolver , sem um futuro: incerto, sem um sentimento: real...sinto o suor espesso escorrer
do meu rosto, estou apavorada, perdida, torpe e... vazia.

De repente vem à lição para um aluno que já não decifra as frases de giz na lousa:
Quando acaba o medo, o medo de perder quem se ama é porque já não há mais amor.

E vc não tem mais medo.

Grande merda do caralho de aprendizagem.
Foda-se esse circo onde eu sou o palhaço,o persuasivo leão que tem medo do chicote, a bailarina manipuladora , a serragem, a lona, a merda dos elefantes.


Não cisca mais o dedo. Aperta. Tenha um pouco de respeito por mim. Mata logo.  

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Tentem.


É, novamente olha eu triste aqui de novo.
Tem pessoas que aceitam isso já como um traço da minha personalidade.
Mas eu digo do fundo do meu peito hoje tão dolorido: eu não gosto de ser triste.
Como todo mundo eu cultivo esse sonho poético e infantil de ser feliz.
Mas como eu vou conseguir ser feliz se as pessoas vivem se magoando?
Por que essa facilidade de em provocar dor?
Quando eu era adolescente eu era engraçada. Acredite eu era mesmo!
Tirava saro de tudo, fazia piada, não sossegava até arrancar um sorriso do rosto mais sisudo... mas fui perdendo isso e ficando assim como sou agora:triste.
E sensível, muito até, mais do que minha saúde mental e física permitem.
Fico triste com a falta de compreensão, fico triste com os julgamentos, fico triste com quem tem raiva de mim, fico triste com quem acha que gosta de mim, fico triste com quem mente pra mim por nada...
Vou ficando assim. Triste. E eu tento não me contagiar. Ainda olho pro céu, para os lindos ipês floridos nessa época do ano, já escolhi os que vou fotografar, me nutro de poesia, musica, arte... mas o poder das pessoas supera tudo isso. O poder das pessoas de magoar fode tudo.
E ai vem alguém e me diz como quando a mãe da gente grita e dói dentro do peito: é as pessoas se magoam! Cresça! Aceite isso, é da vida!!
Eu me orgulhava por não desistir das pessoas, por mais que elas me ferissem... mas essa sou eu. Numerologia: 33. A foda da idade de Cristo... sofre ai, vc aguenta...
Seria tão mais simples me revoltar, mas bonito e todo mundo iria entender, por que todo mundo entende a violência, mas de amor...
De amor estamos iletrados, mudos, surdos, cegos e totalmente ignorantes.
E não fique achando que escrevi isso pra vc, pare de se valorizar tanto, é esse maldito egocentrismo que não nos deixa olhar pro outro!!
Porra será que vcs podem tentar pelo menos não ferir alguém hoje!!
Tentem, não é fácil, eu sei, entendo bem a frase: “a mão que acaricia, fere e sai furtiva, faz do amor uma história triste”, eu também sei ferir e muito. Mas eu não quero mais. Tentem ligar pra aquela pessoa que vc magoou e que talvez não te receba bem, mas, tente dizer a ela que vc se importa, que vc é humano e estúpido e sente sua falta e vai tentar não mais feri-la. Tentem.
“O corpo que não dança é como uma alma que não reza.”
O ser humano que esta nessa viajem e não tenta ser melhor perde o valor da sua passagem e não dá pra trocar depois...

domingo, 4 de agosto de 2013

Doce menino-homem.



O doce menino-homem escreveu poemices de carne tremula
Para a menina-flor.
A menina-flor acha agora que é mulher e dentro dos mistérios
Da fêmea fere e sorri displicente.
O doce menino-homem não sabe qual dos lados da lamina o faz sangrar mais:
O lado em que a menina-flor diz ser lindo suas poemices com uma doçura angelical que o faz transbordar de amor.
Ou o lado que a menina-flor lê, mas não compreende a dor ali expressa, rasgada e exposta em poema.
A menina-flor não percebe que o doce menino-homem morre.
A mim, doce menino-homem cada lágrima sua me abre uma ferida.
As tuas feridas beijo cada uma, o teu sangue: lambo, como se pudesse sugar toda a sua dor e fazê-la minha, como se eu soubesse tratar dela melhor que vc.
Não sei. E sofro por essa inabilidade.
Também morro contigo, mas sigo curando tuas feridas como cuido das minhas, e sinto que aos poucos teu sangue que sugo esta se
Tornando de novo mais doce.

Morro contigo para renascermos juntos. Eu e vc. Sempre.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Eu quero água.




Minhas palavras são uma resposta ao lamento de amor.
Aos longos dias cheios de lamentos.
A tristeza expansiva é cheia de arroubos, comovida, doída.
É a tristeza certa para os poetas, só é poeta quem sabe sofrer.
Descobri que sofri tanto, tantas foram as minhas tristezas demonstradas em
lágrimas que pareciam nunca findar, mesmo quando chorando em silêncio,
chorando sem lágrimas, chorando com um sorriso para que os que não sofrem
não me identificassem, mesmo assim... hoje sofro diferente.

Meu sofrer é seco. Ah sim as lágrimas ainda vem,como agora,mas são duras.
Como se um deserto se apodera-se de mim.
E o pior dessa nova dor é que aos outros ela não parece dor,não que eu tenha que justificar a alguém minha dor, não... Foda-se os outros!
Os que me rodeiam sabem que sempre fui composta de boa parte dela,
que a vida em mim tem um bocado de morte também.
Ah se eu pudesse esvaziar também meu coração e minha cabeça...
Como dói pensar tanto!
O que me é injetado na veia todos os dias é a dureza escrota da vida,
empurrando a poesia como uma pedra gigante empurra a água,empurra para os cantos de mim e vai transformando tudo em deserto,em dor seca e rude.
O prazer doloroso aconteceria á mim como um presente vertiginoso se eu consegui-se me despir de eu mesma, estancar o grosso fio que me nutre de dureza,
despir de secura, do mormaço que fere os olhos e ser toda água!
Ah eu me transbordaria em tanto prazer e o doloroso que trás o cansaço do corpo, a sensação de ter travado uma luta corporal e suada, assim o amor não seria contido, invadindo nossos corpos, nossos poros, sua alma...

Ah, como eu queria nos regar todos os dias...
Já deixei tanta vida pra trás, tanta vida que em um fragmento de tempo eu deixei escorrer das mãos...
A mesma água que anseio,que desejo com dor,angústia e amor,me escorre pelos dedos.

E não vira poesia, pois não remete a dor.
É seca. E ninguém gosta de dor ou poesia seca. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Livro





A gente sempre acha que o outro vai entender.
Que vai ler nos seus olhos mareados de dor.
Que o seu abraço apertado vai contar o quanto vc não quer se esse abraço termine.
Que mesmo muito distante o outro saiba exatamente o  que vc esta  sentindo.
A gente se acha transparente. Meio que conta com isso. E ai fica esperando...
Esperando que o telefone enfim toque.
Esperando braços abertos.
Esperando  um beijo longo e sincero.
Esperar dói.
Não ser transparente dói muito mais.
Enfim, se sou um livro, sou daqueles difíceis de ler,
aquele que a gente pega quando dá um tempinho,
que qualquer outra coisa te tira à atenção,
aquele que pede toda hora o dicionário,
aquele complicado de levar na bolsa,
aquele que vc sempre perde o marcador,
aquele que vc já começou várias vezes e nunca consegue terminar.
Descobri que também dói ser livro não lido.


sábado, 8 de junho de 2013

Eu quero continuar doce.

Alberto Korda
Ontem eu sangrei.
Fiquei olhando o sangue escorrer pelos dedos e no meu eterno instinto infantil levei o ferimento a boca.
Mas desta vez o gosto do sangue veio diferente pra mim.
Percebi então que a mudança foi tanta que até meu sangue ficou mais pegado.
Nestes dias meus olhos transbordaram lágrimas novas.
De dores novas misturadas com dores velhas.
Olho para o que meu caminho produziu. Olho e nada vejo.
Olho nos olhos da pessoa que gerei. Olho e vejo uma distancia que me amordaça.
Li nas entrelinhas virtuais um plano de sonho.
Um sonho de uma vida nova. Nova com alegrias velhas.
Me perdi sonhando com cada plano daquele futuro. 
Como seriam meu amanhecer, minhas tardes e minhas longas noites.
Será que mereço esse futuro?
Sou eu ainda doce o suficiente para acreditar em um futuro de felicidade?
Não terá essa dor que não cessa e tanto se intensificou esses dias afogado minhas esperanças?
Eu queria poder olhar em seus olhos e ver meu futuro.
Nada vc me diria, eu leria ali, simples e lindo como a iris de seus olhos.
Como sentir a areia da praia entre os dedos, a deliciosa fúria do mar batendo nas pernas, o sol ah o sol nos aquecendo para sempre tornando nossas peles douradas como uma nova capa.
Mas o gosto do sangue me traz de volta a mim mesma, a essa que agora tem sangue pegado, que é mais rude e seca, que procura intensamente continuar doce. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Bola de Sabão.


Olha pro céu.
O céu vc e eu.
Olha pra rua larga e molhada de chuva.
A rua vc e eu.
Olha aquele quadro lindo, vamos sentar na frente dele e descobrir o que cada um vê.
O quadro vc e eu.
 Escuta aquela música. Tão doce e melodiosa.
A música vc e eu.
Lê aquele livro. O grande. Aquele que nunca terminamos de ler junto.
O livro vc e eu.
Olha dentro do meu coração.
Meu coração vc e eu.
Olha dentro dos meus olhos e seca essa lágrima com beijo.
Meus olhos vc e eu.
Sente esse amor latente, que quer ser leve feito bola de sabão.
O nosso amor vc e eu.

Dadinho.



Jogamos o dadinho.
Mas desta vez apenas três possibilidades.
Sinto uma ligeira tensão no ar ou era apenas o aroma do café?
Olho no fundo de sua iris antes de ouvir sua boca que hesita dizer: eu quero.
Quero arriscar. Apenas três possibilidades e já são muitas e arriscadas.
Respondo rápido para que vc nao ache que espero sua resposta: eu também.
Também quero arriscar. Apenas três possibilidades.
Vc sempre foi melhor do que eu no dadinho, na sorte, na vida e... no amor.
Sempre sem medo de arriscar, mas desta vez senti o cheiro do teu medo.
E como a maioria das sensações que batem em mim de vc, eu vibrei.
De medo também, de euforia, de expectativa, de tesão.
Mentalizo enquanto o dado roda no labirinto sinuoso de nossas cabeças e falas:
Torço pela melhor das possibilidades.
Eu sei, fizemos um pacto de jogadores. Seremos perdedores comportados juntos ou isolados.
Confesso que blefei, pois minha única opção é te amar.


domingo, 14 de abril de 2013

Alma.


Foto: Paulo Bau

Sinto minha alma sendo puxada como um plástico que se desloca do corpo.
E vc vai puxando e não vê as partes que ficaram quebradas do plástico, os pedaços que ficaram lá colados no corpo.
Vc continua puxando por que isso é sua droga, seu ópio, o momento que sua vida pode seguir  quase que inebriada , quase sem dor, por que vc despreza, ignora , evita diálogos e ... continua puxando minha alma se deslocando do corpo.
Pois esse ópio faz vc dizer que esta fazendo o melhor... o melhor pra quem?  A droga te dá a resposta, aquela que te alivia...
E o que é um corpo sem alma? Nada.
Já não fico me  perguntando quando a dor de vc puxar minha alma vai passar, eu sei que ela nunca vai passar, ou quem sabe quando quiser realmente enxergar , quando a droga parar de tomar conta do teu pensamento e deixar o seu coração te comandar, ai talvez eu pare de sentir essa dor.
Dor. O poeta que em vida foi esquecido e ignorado e hoje por ironia é reverenciado ( será que é assim: só na morte os poetas são entendidos?)  escreveu algo lindo:
“ A dor é o único sentimento sem mascaras. E não ter mascaras é muito perigoso”
Eu continuo me arriscando, continuo aqui expondo minha dor, perigoso ou não é a última forma de me sentir viva.
 *a frase é do Caio Fernando.