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| Foto: Paulo Bau |
Sinto minha alma
sendo puxada como um plástico que se desloca do corpo.
E vc vai puxando e
não vê as partes que ficaram quebradas do plástico, os pedaços que ficaram lá colados no corpo.
Vc continua puxando
por que isso é sua droga, seu ópio, o momento que sua vida pode seguir quase que inebriada , quase sem dor, por que
vc despreza, ignora , evita diálogos e ... continua puxando minha alma se
deslocando do corpo.
Pois esse ópio faz vc dizer que esta fazendo o melhor... o
melhor pra quem? A droga te dá a
resposta, aquela que te alivia...
E o que é um corpo
sem alma? Nada.
Já não fico me perguntando quando a dor de vc puxar minha
alma vai passar, eu sei que ela nunca vai passar, ou quem sabe quando quiser
realmente enxergar , quando a droga parar de tomar conta do teu pensamento e deixar
o seu coração te comandar, ai talvez eu pare de sentir essa dor.
Dor. O poeta que em
vida foi esquecido e ignorado e hoje por ironia é reverenciado ( será que é
assim: só na morte os poetas são entendidos?) escreveu algo lindo:
“ A dor é o único
sentimento sem mascaras. E não ter mascaras é muito perigoso”
Eu continuo me
arriscando, continuo aqui expondo minha dor, perigoso ou não é a última forma
de me sentir viva.
*a frase é do Caio Fernando.

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