sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

CLARICE LISPECTOR.

                                                       Pedro Henb  



“Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar.
Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."


INGMAR BERGMAN


“Em toda minha vida rezei só uma vez, implorando:
Me use, faça o que quiser de mim. Mas Deus nunca compreendeu que escravo tão forte e dedicado tinha em mim.
Por isso minha vida foi sem utilidade. Mas também é mentira.
Nós caminhamos, passo a passo, em direção as trevas.
A única verdade existente é esse movimento”

“Meu desejo foi sempre ter uma faca, um gume que pusesse á vista minhas vísceras, libertasse meu cérebro, meu coração.
Que me libertasse do que tenho aqui dentro,
Cortasse minha língua e meu sexo. Uma lâmina afiada que raspasse minha impureza.
Então aquilo a que chamamos espírito se libertaria deste cadáver sem significado.”

domingo, 26 de dezembro de 2010

Um conto de Natal.



Quando cursei a quinta serie fui estudar em um colégio dito de classe média. Era a primeira vez na minha vida estudantil que estava inserida neste universo.
No colégio anterior do qual estudei da primeira a quarta série meu universo era pura segurança: conhecia todos, desde funcionários até alunos de séries diferentes da minha, passava oito horas no colégio, ou seja era o meu universo. Meu universo seguro e confiante onde eu andava de cabeça erguida , sempre sorrindo, zombando aqui e ali dos mais queridos, já manifestando meu humor sarcástico que mais tarde me tornaria digamos: um pouco popular...
Enfim a mudança de colégio foi difícil para mim que até hoje tenho medo do novo, do que não conheço totalmente, do que não domino com segurança.
Minha espinha dorsal dobrou... Fiquei amiga dos pedregulhos do caminho, conhecia cada rachadura ou piso do chão do colégio...
Minha voz de tonalidade forte e volume totalmente audível tornaram-se um sussurro, como se pedisse perdão por estar falando... Para ajudar esta fase coincidiu com a fase das espinhas no rosto... Então vieram os cruéis e diários apelidos... Céus como me permiti sofrer com eles...
Foi um longo semestre, mas toda dor um dia tem seu fim e decidindo que não passaria outro semestre de cabeça baixa, me alimentei de todas as forças que havia enterrado toda a segurança e presunção e expus no primeiro dia de aula após as férias de julho meu rosto, coberto de espinhas sim, mas com um olhar desafiador! Ah eu sei sim causar medo!
E o destino conspirou a meu favor: a professora de português informou que haveria um concurso no colégio de redações e que os três primeiros colocados poderiam escolher 5 prêmios. Era minha chance! A grande chance de mostrar aqueles burgueses vazios do que era feita a minha essência juvenil!
E escrevi meu primeiro conto de Natal, sim apesar de estarmos em agosto.
Eu queria emocionar. E consegui. A todos.
Escrevi um conto de Natal que falava da beleza do Natal, que contava a história do Natal de um menino pobre, que fazia seus brinquedos com batatas, mas permitia-se ser feliz dentro da sua simplicidade, foi como diria meu pai: um tapa com luvas de pelica.
Foi a primeira vez que senti a força da palavra escrita, a qual poderosa poderia ser essa arma que eu manuseava com tanta destreza...
Foi daí que decidi por jornalismo anos mais tarde.
Enfim, hoje muitos anos depois, estou aqui novamente para falar sobre o Natal.
Existiu outra fase na minha vida em que eu aproveitava ao máximo o Natal simplesmente para abraçar! Sou de uma família de quatro irmãos, e como todas as famílias que se dissolvem naturalmente para formar suas próprias famílias eu encontrava muito raramente meus irmãos, e o Natal era um desses encontros.
Por vários anos consecutivos foi a única maneira de abraçar meu irmão.
Algumas vezes procurava em vão e no desespero utópico dizer-lhe através do abraço o quanto eu o amava e o quanto sentia sua falta... Mas nada neste sentido supre as palavras, e sem entender por que existiu entre-nos uma mudez acordada nas entrelinhas do sentimento.
Ficava me perguntando o porquê ele estaria tão magoado comigo e... Abraçava...
Minha mãe também fazia parte das pessoas que eu abraçava só no Natal.
Lembro-me de um dia quando eu era muito criança, corri para a cozinha e a abracei pelas costas, chegando no máximo a alcançar suas pernas e a mesma ralou comigo, dizendo-me que não gostava de abraços, beijos... E fosse me ocupar de algo mais útil, que a cozinha era seu território e eu ali só atrapalhava...
Talvez venha daí minha inaptidão culinária, pois depois deste dia evitei não somente a cozinha como o território do carinho com minha mãe.
E novamente o Natal era o motivo para abraçar.
Quando faltavam os minutos para finalmente o dia 25 nascer meu coração já não suportava tanta ansiedade... ah quantos abraços guardados esperando um só!
Este texto vem, por favor, pedir a vocês que não esperem o Natal para abraçar alguém...
Que um abraço apesar de não suprir as palavras pode ser unido a elas.
Abrace e fale. No pé do ouvido. Uma confissão entre você e a pessoa que você ama. E abrace forte, coloque em seu abraço todas as suas emoções, abrace com entrega, sem restrições, não sinta medo de ser rejeitado ou se o abraço correspondido não vier na mesma intensidade que o seu, persista, abrace mais forte, como se neste gesto você possa tirar toda a resistência da pessoa abraçada, todo o medo de entregar-se a seu abraço.
E experimente abraçar até quem você não conhece tanto!
Outro dia abracei uma moça simplesmente por ela ter tirado um filhote de cachorro da rua... e acreditem ela recebeu meu abraço com uma alegria mágica. 
Abraçar vai torná-lo uma pessoa melhor, acreditem. como uma força capaz de conseguir fazer a paz mundial. Utopias e meu lado poético a parte, faça esse bem por você, por quem receber seu abraço e por mim, que lhe peço com toda segurança e presunção.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Impossivel.

 Quem dera pudéssemos nos apaixonar toda semana.
Esperamos sempre que o nosso amor suporte tudo,
E o amor não tem que suportar tudo.
“No verdadeiro amor deve caber o impossível.”

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Brisa Leve II

A Brisa ainda permanece leve porem agora é continua e não mais furtiva em pequenos redemoinhos.
O café permanece forte, mas seu aroma agora é perturbador, invade os ambientes, os lugares públicos, as praças, os cinemas, as almas...
As sensações de arrepio agora se materializam em imagens, gestos leves, mas precisos.
O corpo não ousa somente responder aos estímulos que chegam de todos os lugares simplesmente e com prazer: obedece.
A alma, ah a alma já totalmente tomada foi astuciosamente conquistada confia de olhos vendados e lábios apertados pressentindo o que vem depois.
O cheiro ocre é parte do que sou agora.
Totalmente dependente desta maliciosa droga.
Acordo,vivo, morro em alguns dias sempre consumida pelo cheiro ocre colado nas paredes do meu eu.
A este vinho brindo a coragem de bebê-lo e já não termina pegando pois corre junto em minhas veias. 

sábado, 4 de dezembro de 2010

O lugar.




No lugar é bom que se tenha uma ampla janela sem grades que emoldure um bom pedaço de céu, para que eu possa ver as nuvens deslizando pelo céu azul ou mesmo a força dos pingos de chuva.
No lugar é bom que se tenha sempre que possível um café forte a mão, que seu preparo seja descomplicado e que o aroma entre pelos pulmões sem pedir permissão, que a caneca onde seja servido seja grande e grossa.
O café é uma das bebidas que mais gosto.
No lugar é bom que tenha uma rede para as tardes preguiçosas de verão.
Uma rede grande, azul de preferência (adoro a cor azul) onde possam confortavelmente deitar dois corpos.
No lugar é bom que se tenha muitos livros de diversos assuntos guardados ou espalhados ou até mesmo empilhados em uma ordem secreta que só quem os lê entenda.
No lugar é bom que se tenha poucos moveis para que se possa correr de uma planejada travessura.
No lugar é bom que se tenha um mossô, pois estes crescem de forma desconexa, torta e linda como as histórias da vida.
No lugar é bom que o vento habite freqüentemente para que o uso de poucas roupas se torne um hábito agradável, mas é bom que exista também um tapete para as noites frias e nestas noites troca-se (somente nestas) o café por um cremoso chocolate quente.
 No lugar é bom que se tenha um canto preparado para conversas, curtas ou longas, sérias ou sem nenhuma intenção a não ser a bubuia das palavras.
No lugar é bom que se tenha um pequeno jardim com girassóis para as borboletas brincarem e voltarem sempre.
No lugar não podem entrar gritos, medos ou brigas.
Que as pessoas sintam que é bom lugar, onde habita o amor simples, os gestos simples, o ser simples e que todos se sintam tão à vontade e com o coração leve que ali não seja possível e nem necessário mentir.
Vamos então ao poucos fazer esse lugar existir, transformar o nosso lugar neste lugar.
No espaço físico e no recanto da alma.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um mundo paralelo entregue a voce.




É necessário que se explique.
Viver com quem tem esse amor compulsivo por escrever não é tarefa das mais simples.
Á vc pessoa que se candidata a esta tarefa vou tentar facilitar aqui alguns passos.
É necessário que exista realmente muito amor, amor daqueles bons, raros e legítimos.
Quem se propõe a amar e viver com esses “escrivinhadores” de plantão tem que abrir mão de, por exemplo, do sentimento tão associado ao amor: o ciúme.
Pois a alma do escritor é livre, repleta de personagens, histórias, lugares imaginados e outros relembrados e não cabem as perguntas: Mas quem é essa? ou: Mas vc já esteve neste lugar? Ou pior: Mas isso aconteceu mesmo?
Pecados mortais para esses sonhadores vorazes.
A pessoa que ama os escritores tem que ter consciência de que na cama existem: três.
Que existe um mundo paralelo vivenciado no mundo real, é que às vezes um olhar perdido, ou focado em um papel ou computador não seja falta de atenção e sim: alimento.
Não ouse questionar no meio deste devaneio criador onde estamos escrevendo, como costumo dizer: no caderno rascunhado do pensamento, perguntando se esta tudo bem.
Se estivermos criando tudo esta bem...
Isso leva a outra ponta do novelo: as longas fases mornas, frias onde nada é capaz de preencher o papel, que angustia!
Á de se ter muita paciência.
No entanto não são somente pesares destinados aos escolhidos á amar essas pessoas tão diferentes, não... e as compensações são muitas. Por exemplo, esteja preparado para nunca existir rotina, a doença que mata a maioria dos casais, pode ter certeza de que será inundado pelas paixões do momento: o personagem, a nova história, as cores, os quadros, as maneiras pesquisadas, os lugares encontrados...
Correndo o delicioso risco de ser talvez uma musa inspiradora!
Um mundo realmente paralelo entregue a vc ser amado sem restrições, uma imaginação incansável, amantes vorazes e sem restrições.
Com exceção ao deslumbramento se o lugar for uma livraria ou um sebo, aí tenha paciência novamente...
Mas insista caro candidato, afinal amar a quem tem a escrita na alma é com certeza amar plenamente por todos os sentidos criados e não criados.    

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A primeira vez que Ela veio a mim.


Tentei fugir do papel, magoas não resolvidas são muito dolorosas, e não tenho a maturidade para ouvir opiniões a respeito do que escrevo sem vaidade, portanto dói.
Mas escrever para quem tem esse amor é realmente um vício.
Instala-se em vc nos momentos propícios e a paranóia do desejo de escrever é incontrolável.
Bom, explicado e perdoável a mim mesma, o porquê estou a escrever vem o motivo do desejo.
Andei novamente pensando na morte e reli o que escrevi sobre Ela, ontem me caiu no colo um programa intitulado: A morte com encantamento... Do qual o locutor citava Saramago...
Os sinais caem do céu como flechas quando se esta atenta a eles.
E minha viagem como sempre foi primeiramente escrever no caderno rascunhado do pensamento, nunca fica igual ao que transcrevo em palavras, mas somente eu e talvez alguém que ouse entrar na minha confusa e perturbada mente possa ler os originais... Creio que são melhores, pois tem sentidos e imagens que as palavras não alcançam.
Deparei-me pensando na primeira vez que a morte se mostrou a mim.
Maneira louca e inesperada.
Havia ido à casa de uma amiga (?) e no decorrer da visita aparece a Irma da mesma entrando aos atropelos na sala, eu ainda não a conhecia, me foi apresentada naquele dia de céu azul sem nenhum vestígio de nuvem.
Assim que apertei sua mão à morte se mostrou para mim...
Gelei. Senti-me caindo em um vale profundo e sem fim, sentindo a força do vento no meu rosto e um vazio enorme no peito...
Ela (a morte) sorriu para mim dentro da juventude daquela moça, olhou fundo em meus olhos e disse de pronto:
“Não julgues que por estar neste corpo jovem não vá levá-la,
Eu vou!”
Fiquei embaraçada e torpe e acredito que até transmiti antipatia.
Na volta para casa as perguntas me furavam o peito como lanças agudas: Por quê? Por que ela? 
E por que contar a mim?
Será verdade ou loucura da minha cabeça?
Ouso duvidar? Levo tudo na esportiva e olho para o céu na perspetiva de chuva?
Enfim, é claro que aquela imagem somente veio alimentar minha insônia já tão constante... Com o passar da semana foi ficando como sonho, meio bruma, meio esquecimento e a mente carente foi procurando outros destinos e loucuras...
Foi então que chegou a noticia: A moça que conheci naquele dia havia cometido suicídio.
Atirou seu corpo de uma passarela e caiu como em... Um vale profundo e sem fim...
Eu senti isto naquele dia...
Depois disto nunca mais ousei duvidar Dela.
Ainda me pergunto o porquê ela se diverte zombando comigo,
Contando-me suas conquistas... Por que sou eu a escolhida a saber?  Mas aquela foi somente à primeira vez que ela veio a mim, me enlouquecer, me tirar os sentidos com sua visita não desejada.

sábado, 27 de novembro de 2010

João

Foto: Paulo Bau.

(Relatos de uma saída fotográfica)

Ele tem um sorriso brincalhão que parece estar sempre pronto para a festa.
Às vezes olha tímido (mas o olhar zomba assim mesmo), analisa, o gesto do corpo parece dizer que tem medo.
Que nada! Ele é todo coragem! Ah se eu tivesse metade da tua coragem, João!
Meu grande e ao mesmo tempo pequeno, doce e infinitamente lindo, a meus olhos: João!
Triste daqueles que não enxergam tua beleza...
Agradeço a Deus por permitir-me te conhecer.
Ouvi do teu pai tua história, (captadora obcecada que sou pelas histórias das pessoas e o que me fez iniciar estes relatos, ouvia teu pai, mas olhava vc!) ouvi sobre seus irmãos, sobre sua mãe...
Todos diriam se ouvissem: “Que triste história de vida!”
Mas basta olhar para vc e meu coração se enche de alegria!
Cantarolar para você sua canção preferida foi tão bom! Te tocar, zombar com teu olhar brincalhão, ficar com um medo gigante que vc caia...
Todos os meus sentidos maternos ficaram em alerta, moleque danado!
E o seu pai tranqüilo...feliz e consciente da tua liberdade de locomoção...
Eu por mim te carregava no colo, colava tua mão na minha e não te soltava mais...
Envaidecido por ser o foco das atenções e da lente fotográfica, vc zombava de nós bobos adultos (assim como vc na idade que se conta os anos, conta que nunca fecha, pois vc sabe o que é ser realmente criança no corpo de adulto)que pedíamos para vc sorrir, o sorriso com dentes, pois teus olhos já nasceram puro sorriso.
João não se engane é o cavalo que aprende contigo! Aprende do amor humano sem distinção, sem preconceitos, só simplesmente: amor.
Guardarei o beijo que te dei na despedida para sempre no peito, o beijo
Que te desconsertou eu sei, mas também sei que vc entendeu.
Eu precisava conhecer vc naquele dia João! Meu coração precisava.
Obrigada meu grande pequeno novo amigo por trazer vida a meu dia.  

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A vela



A chama da vela ainda aquece
acende minhas preces
eu com meu rancor
só encontro dor
onde acende minhas preces
a chama da vela ainda aquece

texto, foto e intervençoes: Pedro Bau.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ouvindo Agora e Muito: Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain

Ouvindo Agora e Muito: Edith Piaf - La Vie En Rose

Demais.

Demais por que seu sorriso é tão lindo quanto o mar.
Demais por que seus olhos são labirintos que me perco
com prazer.
Demais por que as horas do amor não cansam e não querem cessar.
Demais por que todas minhas verdades são entregues a ti
E as verdades sempre são demais a qualquer um.
Demais por que sua ausência causa uma dor não humana.
Demais por que seu corpo é meu paraíso e o paraíso é grande demais.
Demais por que as palavras não conseguem traduzir
O significado desta linguagem particular: doce, astuta...
Demais, pois para desafiar o presente e projetar um futuro
É necessário ser louco e amante por demais da vida.
Demais por que somente nas particularidades pequenas,
Nas coincidências inúmeras, no gesto pensado junto, na
Palavra proferida no mesmo momento esta a demasia desse
Sentimento.
Demais como uma dança que não cessa, os pés castigam o chão, os movimentos das mãos são fitas coloridas traçando
Desenhos indefinidos de tão lindos.
Demais, pois meus olhos mergulhados nos seus nadam como se a imensidão do mar fosse de seu poder.
O mar vira lagoa, os braços esticados cortam as ondas mais
Facilmente que as palavras rasgam este papel.
Demais também na consciência de que nunca será suficiente,
Portanto continuo de forma petulante respondendo ao poeta: Demais! Ou Suficiente?
Demais!

sábado, 20 de novembro de 2010

Ultimo Romance

"Eu encontrei
quando não quis
mais procurar
o meu amor

E quanto levou
foi pr'eu merecer
antes de um mes
e eu já não sei...

E até quem me vê
lendo o jornal 
na fila do pão
sabe que eu te encontrei

E ninguem dira 
que é tarde demais,
que é tão diferente assim
do nosso amor
a gente é que sabe

Me diz o que é o sufoco
que eu te mostro alguem
a fim de te acompanhar
E se o caso for de ir á praia
eu levo essa casa numa sacola!

Eu encontrei
e quis duvidar
tanto cliché
deve não ser

Voçe me falor
pr'eu não me preocupar
ter fé e ver
coragem no amor

E só de te ver
eu penso em trocar
a minha TV
num jeito de te levar...

A qualquer lugar 
que voçe queira
e ir onde o vento for,
que pra nós dois
sair de casa já é se aventurar

Me diz o que é o sossego
que eute mostro alguém
a fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
eu sigo essa hora
e pego carona
pra te acompanhar"

Marcelo Camelo

Ouvindo Agora e Muito :Los Hermanos Ultimo Romance

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Feliz Aniversário Mãe.


Se me pedirem para usar uma só palavra para definir você, eu diria:
FORÇA.
Desde criança eu só vi um momento de fragilidade seu, um único
Momento: o momento em que ficou espelhado em seu olhar a perca
Do meu pai.
Essa força nos moveu quando crianças e move até hoje, mas o que
Eu quero te dizer hoje no seu aniversário é que não é fácil viver com
Essa força, é muito difícil, isso sim, por que a gente quer se espelhar,
Chegar próximo de um pouquinho da tua luz e não chega...
E isso dá muito medo, pois como viver sem essa força?
Mãe, eu não estou nem um pouco preparada para perdê-la, então
É de uma forma bem egoísta que eu te peço: Se cuida, mãe.
Se nessa vida você levou tanto tempo e força para conquistar as coisas,
(anos para ter uma geladeira nova, o filho na faculdade) você pode ter
Certeza de que em amor você é milionária, pois todos os teus filhos,
Teus netos, o Paulo que lhe tem como mãe, todos nós te amamos muito e
Cada um diz isso da sua forma.
  E se me pedissem para dar outra palavra no lugar de FORÇA, para definir você eu diria quase a mesma: AMOR

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Verso no Corpo



Não serão mais necessárias as pequenas mordidas, o apertar dos lábios, gestos que na volúpia do amor são voluntariamente apreciados.

Não será mais necessário gritar aos céus e a todos os Deuses pedindo consentimento ao celeste.

Não será mais necessário fazer-me presente de forma efusiva e por vezes inteligentemente rude.

Escreveste um verso no corpo.

Verso este que já estava tatuado em minha alma.
Verso pequeno, curto, mas intensamente lindo.

Alguns não saberão lê-lo, acharam objeto popular.
Alguns talvez o acariciem, o desejem, mas será o meu selo de postagem e voltaras sempre a este remetente.

E no fim, ah o tempo voltando a castigar-me (!), Deus fará do teu verso um sinal, uma marca, que te tornará diferente entre todos e através da qual insistente e infinitamente te buscarei em outras vidas.

Ouvindo Agora e Muito: Beirut - Elephant Gun

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Tela

Desejo que o corpo transforme-se em tela.
Desejo que minhas mãos tenham a pericia dos pinceis.
Desejo que as cores escolhidas sejam vivas e exuberantes.
Desejo que o tracejado seja forte e seguro, porem
Revolto e também doce, quase singelo...
Desejo que a tela sinta as tintas como suor que transborda pelos poros.
Desejo que as tintas consigam exprimir o ato
Insolente e planejado do momento.
Desejo que as cores perturbem ao olhares tímidos e á aqueles que ousam olhar a fundo.
Desejo que o tracejado não demonstre seu inicio e nem seu fim, que se perca em si mesmo em movimentos infinitos.
Desejo que a paz não aconteça ao olhar o quadro,
Que ao contrário traga ao expectador uma angustia
Dolorida que provoca novo desejo de olhar mais.
Olhar demais e não o suficiente.
Que aquele que conseguir tirar os olhos da tela e sair impune carregue com ele a tela tatuada na retina da memória e esta volte, volte, volte insistentemente.
Desejo ser o mestre desta tela.
Desejo ser seu vigia, seu admirador, seu dono.
Dono consciente de que arte não se prende, se doa.
Então doarei ao mundo o fato constatado de que
Pertenço a esta tela muito mais do que esta me pertence.

domingo, 7 de novembro de 2010

Labirinto

Seus olhos são águas mansas,
Marés infinitas que invadem meu cais.
Tenho medo e desejo
De tudo o que seus olhos me dizem.
Às vezes translúcidos,
Às vezes revoltos, pedintes, tristes...
Mas sempre, infinitamente, sempre: lindos!
Permita-me decifrar os códigos secretos dos
Teus olhos.
A verdade carnuda de seus lábios.
A volúpia doce do seu corpo.
Não tente me entender,
Sou um imenso labirinto,
Mas venha perder-se, pois assim
Te encontrarei sempre em mim.

Borboletas no Estomago.

As borboletas voltam a meu estomago.
Minha mente volta a pensar freneticamente.
O passo fica preciso.
A língua solta... Sem medo das bobagens que direi.
Sinto o corpo esperançoso e jovem!
Os cheiros... Ah os cheiros voltaram! Como me fizeram falta!
E aquele gosto tão relembrado nos sonhos... nas noites insones...
Ah que delicia indescritível.
O gosto que só eu sinto e que só eu sei decifrar:
O gosto da tua língua na minha.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sigo.

 

“Sigo então...
De peito aberto a quebrar as pedras que plantei no caminho
Por baixo um imenso mar...
Que me naufrague o amor em suas lágrimas de sal.
A resignação sem valor de cada palavra...
Já não dita: Sentida.
E todos os sentidos já embriagados pela magoa tua.
Inundam-me tantos pensamentos quanto possíveis a um naufrago...
Se o mar terá razão? Não sei...
Antes não fosse ao mar cruel e nem lhe desafia-se as ondas...
Quanta fortaleza ainda resta em mim?
Não sei...
Ao longe se vê o castelo.
A porta aberta, não faz muito sentido.
Já não espero o melhor, mas ainda não vou saindo.
Logo avisto uma princesa em sua torre enclausurada.
Que, a me ver do alto me atira flores e pedras.
As pétalas fazem carinho sobre a face que agora sangra de teu ultimo arremesso...
Não atiro-lhe mais as pedras em retorno.
Já não grito. Calo...
Se eu pudesse me aproximar! E tirar-lhe todas as pedras...
Vou esperar que jogues todas as pedras.
Sei que não erraras ao lançar e por certo cada pedra me causara uma ferida, uma dor, uma escara...
E quando em fim as pedras acabarem, desce de tua torre
E vê o que restou.”

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Morto Vivo




Talvez exista algo mais triste na vida
Do que não sentir-se vivo
Talvez a morte de um ser amado.
Talvez uma doença incurável.
Mas eu não sei se existe dor maior que essa que
Mora em mim.
Gostaria muito de ter fibras de aço no coração.
Ter uma mente focada na realidade.
Gostaria de sonhar menos.
Gostaria de amar menos.
Nunca em minha vida sofri tanto quanto agora.
É uma dor latente, que parece perfurar o peito e
Da qual nenhuma lagrima amortiza.
Sinto o ar diferente, não sinto mais os gostos ou os
Aromas, só essa dor.
Rezo, peço, imploro para que essa dor cesse, me deixe respirar, sentir o estar vivo novamente.
Pois a experiência de estar morto em vida é destruidora.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mistério Insondável

 
Mistério insondável essa pessoa.
Passa devagar balançando o corpo como uma dança.
Traz no olhar um brinquedo, uma competição.
A boca parece um desenho querendo insinuar tantas coisas que me perco tentando decifrar.
E as mãos... Que expressivas!
Desenham no ar: hemisférios, horizontes,
mundos e doces de aniversário.
A voz é um sussurro, um canto do vento, uma poesia de folha voando perdida...
Quando te vi me senti em uma sala de cinema, único espectador deste filme...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

No meu lugar




Vc quer estar no meu lugar?
Por acaso quer essa cabeça alucinada e delirante
Pulsando insistentemente a todo o momento?
Não mesmo...

Vc quer estar no meu lugar?
Quer noites mal dormidas com rompentes de inspiração?
Quer sentir a agonia do desejo insaciável preencher o seu corpo?
Não mesmo...

Vc quer estar no meu lugar?
Quer sentir a morte como sua companheira das horas?
Quer ser escravo do tempo e amante do destino?
Não mesmo...

Vc quer estar no meu lugar?
Quer sentir o vazio da alma e controlar lágrimas que já
Nem sabem por quem e por que caem ainda?
Não mesmo...

Vc quer estar no meu lugar?
Quer esse corpo velho e cansado?
Quer sentir-se a única pessoa no mundo inteiramente sozinha?
Vc suportaria essa dor?
Não mesmo...

Vc quer estar no meu lugar?
Sou preenchida de puro vazio.
Vc iria se perder, sentir-se tonto e angustiado.
Sentiria tudo o que um ser sente quando não é amado.

Vc quer estar no meu lugar?
Não mesmo!