segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A primeira vez que Ela veio a mim.


Tentei fugir do papel, magoas não resolvidas são muito dolorosas, e não tenho a maturidade para ouvir opiniões a respeito do que escrevo sem vaidade, portanto dói.
Mas escrever para quem tem esse amor é realmente um vício.
Instala-se em vc nos momentos propícios e a paranóia do desejo de escrever é incontrolável.
Bom, explicado e perdoável a mim mesma, o porquê estou a escrever vem o motivo do desejo.
Andei novamente pensando na morte e reli o que escrevi sobre Ela, ontem me caiu no colo um programa intitulado: A morte com encantamento... Do qual o locutor citava Saramago...
Os sinais caem do céu como flechas quando se esta atenta a eles.
E minha viagem como sempre foi primeiramente escrever no caderno rascunhado do pensamento, nunca fica igual ao que transcrevo em palavras, mas somente eu e talvez alguém que ouse entrar na minha confusa e perturbada mente possa ler os originais... Creio que são melhores, pois tem sentidos e imagens que as palavras não alcançam.
Deparei-me pensando na primeira vez que a morte se mostrou a mim.
Maneira louca e inesperada.
Havia ido à casa de uma amiga (?) e no decorrer da visita aparece a Irma da mesma entrando aos atropelos na sala, eu ainda não a conhecia, me foi apresentada naquele dia de céu azul sem nenhum vestígio de nuvem.
Assim que apertei sua mão à morte se mostrou para mim...
Gelei. Senti-me caindo em um vale profundo e sem fim, sentindo a força do vento no meu rosto e um vazio enorme no peito...
Ela (a morte) sorriu para mim dentro da juventude daquela moça, olhou fundo em meus olhos e disse de pronto:
“Não julgues que por estar neste corpo jovem não vá levá-la,
Eu vou!”
Fiquei embaraçada e torpe e acredito que até transmiti antipatia.
Na volta para casa as perguntas me furavam o peito como lanças agudas: Por quê? Por que ela? 
E por que contar a mim?
Será verdade ou loucura da minha cabeça?
Ouso duvidar? Levo tudo na esportiva e olho para o céu na perspetiva de chuva?
Enfim, é claro que aquela imagem somente veio alimentar minha insônia já tão constante... Com o passar da semana foi ficando como sonho, meio bruma, meio esquecimento e a mente carente foi procurando outros destinos e loucuras...
Foi então que chegou a noticia: A moça que conheci naquele dia havia cometido suicídio.
Atirou seu corpo de uma passarela e caiu como em... Um vale profundo e sem fim...
Eu senti isto naquele dia...
Depois disto nunca mais ousei duvidar Dela.
Ainda me pergunto o porquê ela se diverte zombando comigo,
Contando-me suas conquistas... Por que sou eu a escolhida a saber?  Mas aquela foi somente à primeira vez que ela veio a mim, me enlouquecer, me tirar os sentidos com sua visita não desejada.

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