Desejo que o corpo transforme-se em tela.
Desejo que minhas mãos tenham a pericia dos pinceis.
Desejo que as cores escolhidas sejam vivas e exuberantes.
Desejo que o tracejado seja forte e seguro, porem
Revolto e também doce, quase singelo...
Desejo que a tela sinta as tintas como suor que transborda pelos poros.
Desejo que as tintas consigam exprimir o ato
Insolente e planejado do momento.
Desejo que as cores perturbem ao olhares tímidos e á aqueles que ousam olhar a fundo.
Desejo que o tracejado não demonstre seu inicio e nem seu fim, que se perca em si mesmo em movimentos infinitos.
Desejo que a paz não aconteça ao olhar o quadro,
Que ao contrário traga ao expectador uma angustia
Dolorida que provoca novo desejo de olhar mais.
Olhar demais e não o suficiente.
Que aquele que conseguir tirar os olhos da tela e sair impune carregue com ele a tela tatuada na retina da memória e esta volte, volte, volte insistentemente.
Desejo ser o mestre desta tela.
Desejo ser seu vigia, seu admirador, seu dono.
Dono consciente de que arte não se prende, se doa.
Então doarei ao mundo o fato constatado de que
Pertenço a esta tela muito mais do que esta me pertence.

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