sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sombra



É tanto silencio que sinto medo.
O silencio explica mesmo toda uma existência?
Caminhando pelas ruas procuro encontrar no rosto das pessoas estranhas
Alguma coisa boa. Um barulho. Um som. Poderia ser até um olá ou um sorriso
Cheio de sons.
Menos o silencio.
Como nada encontro entro no barulho dessa cidade louca que nos engole:
Carros, buzinas, crianças na rua, pessoas brigando, ônibus, mas de repente me
Perco no desenho bonito que o sol faz naquele sobrado novinho. Enche o sobrado de vida. Nunca ninguém morou lá. Nunca ninguém dormiu lá, ficou vendo TV ou na internet de bobeira.
O sobrado banhado de sol esta tão sozinho como eu.
Mas o sol não me aquece. Tem essa sombra gigante de árvore velha que me cobre do sol.
É a árvore da minha alma. Grande, frondosa, cheia de galhos de caminhos desconexos.
Enfim o silencio me toma novamente no delírio de me perder apreciando imagens.
Amo as imagens, continuo as fotografando na retina do olhar, a máquina?
Encostada na sombra de minha árvore-alma esperando... Esperando o que?
Esperando esse silencio passar. Esse dia passar. Essa dor de falta de som passar.
Um dia muito repleto de mim. E nem eu me agüento sozinha, sou demais até pra mim mesma.
Queria tanto ser sol, mas sou sombra. Sombra hoje fria.

domingo, 16 de setembro de 2012

Tardes ensolaradas de Domingo.



Com tanta coisa chata e absurdamente idiota para ler, apostilas,ah quantas apostilas!
Mas as tardes de sol intenso me provocam.. me seduzem e me entrego então: a Saramago... e como me arrepender? Impossível, sintam por que:
“No corredor penumbroso, a rapariga sentiu envolve-la a tepidez perfumada do ambiente.
- Queria pedir-lhe se me deixava telefonar para o escritório a dizer que não vou hoje.
- A vontade, Claudinha.
Empurrou-a docemente na direção do quarto. Maria Cláudia nunca ali entrava sem se perturbar. O quarto de Lidia tinha uma atmosfera que a entontecia.
Os móveis eram bonitos, como nunca vira, havia espelhos, cortinas, um sofá vermelho, um tapete felpudo no chão,frascos de perfume no toucador, um cheiro de tabaco caro , mas nada disto, isoladamente, era responsável pela sua perturbação.
Talvez o conjunto, talvez a presença de Lidia, qualquer coisa imponderável e vaga, como um gás que passa através de todos os filtros e que corrói e queima. Na atmosfera daquele quarto, perdia sempre o domínio de si mesma. Ficava tonta como se tivesse bebido champanhe, com uma irresistível vontade de fazer tolices.
- Sente-se, Claudinha! Aí mesmo na beira da cama.
Com as pernas a tremer, sentou-se. Pousou a mão livre sobre o édredon forrado de cetim azul e, sem que desse por isso, pôs-se a
afagar o tecido acolchoado, quase com volúpia. Lidia parecia desinteressada. Abrira uma caixa de cigarros e acendera um Camel.
Não fumava por vício ou por necessidade, mas o cigarro fazia parte de uma complicada rede de atitudes, palavras e gestos, todos como o mesmo objetivo: impressionar.
Isso, em si,já se transformara numa segunda natureza: desde que estivesse acompanhada e fosse qual fosse a companhia, trataria de impressionar.
O cigarro, o riscar lento do fósforo, a primeira baforada de fumo, longa e sonhadora, tudo eram cartas do jogo.
- Bem, vou-me embora. E, mais uma vez, obrigada.
Subitamente, Maria Cláudia teve medo. Não havia de que ter medo, ao menos daquele medo físico e imediato, mas, de um momento para outro, sentiu uma presença assustadora no quarto. Talvez, a atmosfera, que há pouco apenas entontecia, se tivesse tornado, de repente, sufocante...”

Texto retirado em trechos do livro Clarabóia de José Saramago.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

200


Saiu como um choro contido.
Angustiado. Um nó na garganta.
Um aperto asfixiante no peito.
AS lágrimas silenciosas e doloridas carregavam
O cheiro doce do perfume escorrendo da face, adormecendo no peito.
Silenciosas para não competir com a música que eu sonhei como fundo para fazer amor.
É esse apego ao gasto: fazer-amor, sonhar os sonhos impossíveis, como o poeta-louco, sem culpa, sem cobranças, vivendo plenamente e com a liberdade dos loucos: deixando viver.
Um sonho? Uma utopia absurda e até infantil?
Pois eu sou totalmente absurda e infantil.
E por isso entendo seu esforço monumental em garantir poder ser você mesmo para pelo menos uma única pessoa.
Guerras solitárias. Heróis apaixonados por uma causa que ninguém acredita.
E a música recomeça. Lenta. E diz tudo mesmo sem uma única palavra.
Era assim que eu queria saber explicar: com som sem palavras, pois estas me traem, me enganam, me seduzem.
Ando fugindo das palavras inutilmente eu sei como fugir do que se esta enraizado no peito, tatuado com agulhas de amor imensurável, pintado com dores e gemidos e pleno de vida e de deixar viver.

sábado, 14 de julho de 2012

Mestre e aprendiz.

É físico? Carnal?
O meu amar se expressa na pele.
Desde cedo aprendi a controlar o desejo, a aperfeiçoá-lo, a torná-lo longo.
Ah, enlouqueci muita gente nessa aprendizagem!
Sem pudor, como a beleza do dorso nu, expresso:mestra desta arte.
Gosto de esquadrilhar corpos, gosto da boca nas coxas, do arfar na nuca, gosto de chegar até seu umbigo
e definir ali o momento de parar.
Escuto seu gemido mudo: Desce!Desce!
Talvez punindo mais a mim do que a vc eu te nego e recomeço...subindo...
Sei o momento exato estudando teus reflexos e gemidos, como um mestre que rege sua orquestra de olhos
fechados sentindo apenas a vibração do som, sei em que momento segurar , como se segura a fumaça doce no peito, a consciência vertiginosa de que a próxima dose vai te levar a total embriaguez.
Mas como toda mulher, insatisfeita em suas origens, julgo que é pouco. Pouco, talvez suficiente, mas não o demais.
E eu quero o demais. Do amor mesmo nada sei.
Repeti várias séries, faltei a aulas importantes. 
Plena de minha ignorância de amor, quase pura.
Ah, se pudéssemos trocar!
Te ensino um gozo, me mostra uma emoção.
Te esfrego Neruda, Jorge Amado e Bukowski, me recita Alvaro de Campos, Vinicius, Pessoa.
Te entrego a cartilha completa dos prazeres, da luxuria, da vertigem, me ensina a delicadeza do beijo,
a pulsação da conquista,o arrepio do toque das mãos.
Me ensina a amar sem medo, sem culpa e sem intenção.
Me dá o amor que te dou o tesão. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Eu quero agradecer, cheguei aos 3.000.

Muito obrigada a todos vcs: conhecidos e desconhecidos por embarcarem na minha loucura.

Brasil.
Estados Unidos.
Alemanha.
Rússia.
Portugual.
Dinamarca.
Reino Unido.
India.
Letônia.
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domingo, 10 de junho de 2012

"Como é legal, ter alguém que entenda essa sua transição"

Lindo texto de Fernanda Young.

( Quando li este pequeno conto me senti obrigada a reparti-lo, é lindo é mágico, aproveitem)

O PEDIDO.
“Oh, como sonhei coisas impossíveis”
William Blake.

Voar não era, nem jamais havia sido um privilégio. Poderia mesmo ser considerado desventura, já que machos nascidos com asas teriam de trabalhar como atravessadores. Levando cargas e passageiros, de um canto a outro onde houvesse água. E apenas sobre águas os homens-pásaros poderiam voar, proibidos terminantemente de passar por cima da terra, pois a terra, todos sabiam foi feita para se caminhar. Não era, contudo, um emprego assim tão ruim, havia piores. E, como asas em homens já não causavam susto algum, muitos deles chegavam a constituir família, alcançando uma vida normal.
Ugli não era um homem –passaro desses, descendia de outra linhagem. Família paterna de camponeses saudáveis. A materna, uma gente de pés e mãos grandes, com uns rostos bochechudos, que pareciam ter nascido já lanhados de sol. Antes de Ugli, outras cinco crianças se espremiam pela casa, todas fortes e bem desenvolvidas. E, para espanto de todos, esse sexto bebe, um lindo bebe, tinha vindo com asas. Seu pai, homem de origem rude, demorou poucos instantes para concluir-se desonrando e traído. Expulsando a mulher de casa, junto com a criança. A criança alada.
Que ainda estava em seus braços, numa beira de estrada, quando ela foi achada sem vida, vitima do parto difícil. O recém - nascido foi encaminhado para uma família de homens-passaros da região e desde a mais tenra infância, treinado para cumprir o seu dever, Antes de completar 12 anos, Ugli teria atravessado os mais longos rios, oceanos e tormentosas quedas-d’água. Cresceu rápido demais por isso tornando-se um jovem serio e encurvado. Com um tipo de tristeza que lhe deu olhos constantemente chorosos. A ponto de dizerem que toda aquela água, que ele havia atravessado, vivia morna, represada em seu olhar profundo.
Fez-se um homem adulto sem que essa melancolia o largasse. Talvez a compreensão do próprio abandono tenha feito dele um ser solitário. Vivia para o trabalho, do qual não se queixava, mas pode ser que voar para Ugli, fosse exercitar a memória do desprezo. E, como não conhecia qualquer afeto, nem aquilo que o envolve, nunca teve amigos para dividir sua dor, nem vontade de casar, nem razão para sorrir.
Um  dia,certo dia, acordou antes do amanhecer, como de costume, e caminhou os 11 quilômetros, que separavam sua cabana do rio onde trabalhava, mais rápido que de costume.Lá chegando, vestiu a leve túnica bege, presente de seus pais adotivos, e ficou como sempre ficava  a esperar por acontecimentos.Sentia, porem, algo de diferente. Era um dia chuvoso, com um vento frio -mas Ugli estava acostumado a enfrentar tempos ruins, mesmo tempestades, era por esse motivo, considerado o melhor atravessador de toda a área. Não se abalou, portanto quando avistou a enorme comitiva que se aproximava, em pomposa lentidão. Nomeio dela, impondo a ela sua cadencia, vinha um homem bem velho. Talvez o mais velho que Ugli já havia visto. Parecia um papel amassado, de tão magro e enrugado. Seus cabelos e barba, longos, intensamente brancos, eram o que mais parecia pesar em se frágil corpo. De fortes, realmente, só os olhos, vivos, brilhantes, a espelhar enorme sabedoria. Ugli estava certo, tratava-se de um sábio. Foi informado por um dos servos de que ali se encontrava o mais velho homem do mundo, possuidor de poderes nunca explicados. E que, se Ugli, ao transportá-lo, o deixasse cair, ou sofrer qualquer espécie de dano, por menor que fosse um arranhão que fosse ele iria morrer. Ele, Ugli.  Mas se, ao contrario, o ancião alcançasse a outra margem do rio sem que lhe chegasse sequer uma gota de água no rosto, o homem-pássaro poderia pedir o que bem quisesse. Por maior ou mais impossível que fosse o pedido, seria realizado imediatamente. Ugli não disse nada, apenas ofereceu as costas, como oferecia aos demais passageiros. Foi quando ouviu pela única vez a fraca voz do velho.
_ Tens certeza de que queres me levar? Se não o quiseres, nada lhe acontecerá.
- Pode subir.
Abriu suas asas com vigor, deixando claro que, para el, não havia o que temer. Este era o seu trabalho, aquilo que fez a vida inteira. Estava com 35 anos, a grande maioria deles passara voando, em que ocorresse um acidente. Não poderia, contudo, deixar de estar um tanto apreensivo. Não pela possibilidade da morte – não amava a vida o suficiente para tornar-se um covarde. Seu nervosismo vinha da dúvida sobre qual pedido fazer. ”Nunca mais voar, ficar livre destas malditas asas.” Este, seu primeiro pensamento, seguido por vários outros, dentre eles rever a verdadeira família e ser por ela aceito. Pensou até em qual seria sue desejo mais intimo, aquele que jamais pediria. “Amar, amar algo ou alguém, não sou capaz de amar”. O velho terminou de ser afivelado em suas costas, com três largos cinturões de couro, e Ugli não conseguia decidir o pedido da outra margem.Bateu asas sem decidir, deixando o chão com incomum olhar pensativo, e logo sentiu aquele enorme peso.”Como um velho tão magro pode pesar mais que um touro? Já transportei touros muito mais leves!” Ugli entendeu que o velho pesava de tanta sabedoria, e que sua mente carregada era sem dúvida a carga que mais lhe havia doido nos ombros. Atingindo metade do rio, viu-se, suando, com as gotas escorrendo por todo o corpo, e a túnica ficando encharcada, e seus olhos deixando escorrer lágrimas de dor. Sentia os gordos pingos brotando e despencando lá embaixo, os músculos todos ardendo, os pulmões clamando por mais oxigênio. E dessa maneira, ofegante, exaurido, quase entregue, sem que pensasse, o pedido que faria lhe veio a mente. Tão clara e fortemente que fez Ugli prosseguir, quando tudo já parecia perdido. Bateu as asas com vontade, ganhou altura e continuou seu percurso em rumo certeiro. A certeza do que queria era a força de que precisava, ele, enfim, compreendeu. Restava-lhe ainda boa parte da travessia, mas Ugli sentia que poderia agora fazê-la novamente, e quantas vezes fossem necessárias.
Percebia o seu corpo invadido por uma motivação estranha, algo que traduzia como felicidade. Se a felicidade pode ser brutal, a dele foi.
Erguia com decisão sua cabeça, empurrava sua alma esparsa pelo caminho em frente. Aquela vida, a reles vida, era de súbito alo diferente, e ele a desejava por inteiro.
O velho, através da pele enrugada, das vias saltadas, dos ossos cansados, tinha escutado o pedido de Ugli, Sem que ele precisasse dizer uma palavra.
E estava cumprindo a sua parte do trato. Quando os dois chegaram ao outro lado, o Ugli que tocou o solo não tinha mais os olhos de quem quer chorar. Havia sido presenteado com o esquecimento.

sábado, 9 de junho de 2012

O novo revestido do gasto.

Helmut Newton

Terá o amor o poder de renovar-se?
Se hoje nesta data sem nenhum significado vc acaba-se de me conhecer,
Como vc me veria?
Se nós pudéssemos não conhecer as mazelas que o passado nos imprimiu do dia a dia, se de uma maneira absurda e louca pudéssemos esquecer a dor que nos causamos seria o teu olhar limpo para mim agora?
Se nós nada soubéssemos, gostos, manias, maneira de ser, traços marcantes de personalidade, se fossemos nos descobrindo de novo e de forma nova, como seria o amor agora?
 A alma selada de mágoas passadas, o peito aberto ao novo como uma aventura fascinante e vertiginosa.
Teríamos encontrado o amor novamente?
Ah, consciência maldita e inteligente, que não escolhi para mim que me cutuca e diz: mas e o bom do passado? Deixaríamos para trás todos os momentos mágicos, todos os momentos importantes em que estávamos lá, juntos, às vezes mudos na dor, ou na alegria, mas juntos?Os sorrisos em momentos exatos, a frase dita no milésimo de segundo que não volta, pois já será diferente....
Teríamos coragem de abandonar tudo isto?
E como seria esse amor que no fundo sabe do outro?
Seria mais sereno, mais sábio ou mais tresloucado e apaixonado?
Não pensar no futuro enfim, apoiando aos novos filósofos, vivendo somente o presente sem que o passado tenha seu peso nas ações de hoje, teríamos menos medo de sermos nós mesmos?
Muitas perguntas e uma expectativa à frente, ironicamente uma perspectiva que só tem a opção do presente e do futuro.
Minha consciência castradora de poesia me diria: não me traga perguntas e sim respostas.
E escrava dessa consciência megera eu a responderia:
Eu acredito. Sim eu acredito na renovação do amor, até por que seria hipócrita não acreditar, sendo eu um ser que ama o novo, mesmo que o novo já seja revestido do gasto.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Mente versus coração.



Escrevi na minha mente este enigma decorado.
Digo decorado, pois quando escrevo-pensando parece que sai melhor do que quando realmente escrevo, então quando escrevo-pensando eu fico revisando e repassando pra ver se sai bom no escrever-escrever, nunca sai igual, minha cabeça escreve melhor que minhas mãos.
Uma divisão doente acontece no meu eu.
Duas partes se digladiam ferozmente.
Minha mente e meu coração.
Minha mente e sua defesa:
(em voz de desespero, aos soluços chorando, por que não existe mais argumento com meu coração):
“Não faça isso! Eu te peço... vc só vai fazer sofrer de novo, que egoísta vc é!
Vc não pensa na dor do outro? O quanto vc já causou de angustia, medo, dor, dor, dor...
Vc não merece nem um pequeno pensamento,
um cheiro, um gosto, um pedaço de papel com uma flor desejada lindamente... A vc agora somente sobrou à morte lembra? Por que vc insiste tanto em viver? Vc já se perguntou se o outro quer?Se quisesse a busca aconteceria sem vc fazer nada! Vc não cansa dessa luta, dessa dor? Vc sufoca as pessoas quando não permite que elas façam o que quando vc vê vc já fez! Por favor, eu te imploro... Fica na sua porra!”

Meu coração e sua defesa:
(olhando a mente como quem diz: vc não sabe o que diz):
“Não se pode mudar um sentimento como o amor.
Não se pode negar o amor.
A negação do amor só traz mais dor e solidão. Ah a solidão física, pois em mim (coração) a vida nunca deixou de sair, nunca.
Mesmo nos momentos mais difíceis como agora sempre esteve lá: pulsante, vibrante, intensa: viva! Mesmo antes de te conhecer assim como amor vc estava lá, me esperendo te descobrir.
Vc pode continuar enganando-se na sua morte anunciada, de nada vai adiantar, no último momento, no último esgar eu estarei lá para te provar que estou vivo e cheio.
Hoje cheio de dor. Misto de dor e amor.
Mas cheio, não mais de um do que do outro, mas cheio.”  

terça-feira, 5 de junho de 2012

sem titulo


Eu me culpo. Ele me culpa. Ela me culpa.
Alguém longe que não me conhece também me culpa.
Alguém fica feliz quando o outro me culpa.
Eu me culpar já bastava por todos eles.
Todas as manifestações me causam dor, mas eu tenho que suportá-las como punições: eu mereço cada manifestação de vida como um corte na carne.
Portanto não deixe de viver, pois eu vou continuar morrendo por aqui.
Me pergunto até quando vou agüentar tanta dor. Alguém me vem com dito o popular:
“Você só recebe o que vc agüenta, o papo do frio conforme o cobertor...”
Pois eu prefiro a Fernanda Young tão claramente por mim:

E é por tanto falar em morte que às vezes lembro que vivo.”
Pois a morte chega mais rápido para aqueles que aguardam o telefone tocar.”

quinta-feira, 24 de maio de 2012

sem titulo

Eu achei que não cabia mais dor no meu peito.
Eu achei que essa tristeza não tinha mais como ser maior.
Novamente fui uma tola.
Olhar para um rosto e descobrir um abismo gigante, somente uma pessoa que tanto me conhece poderia fazer eu me sentir assim tão eu mesma.
E eu neste momento não quero ser eu mesma.
Não, eu sou tudo o que eu não queria ser!
Eu me transformei em um ser catalizante de dor, eu faço as pessoas sofrerem muito, as faço chorar, as faço ter medo, as faço se sentirem com culpa as faço sentir que o amor não existe.
Agradeça vc que não me conhece.
Eu posso destruir seus sonhos mais doces, suas esperanças mais sinceras.
Eu acabei com toda a vida ao meu redor.
E eu achei que não tinha como morrer mais.
A voz quase que paternal me diz: “Não chora, vc me ensinou tanta coisa...”
Eu não quero mais ensinar nada, eu ensino que a vida acaba que o amor acaba e as pessoas acreditam!
Não existe ser mais cruel e escroto que eu mesma.
Se eu pudesse queria terminar olhando pra mim mesma e fazendo sim um rascunho dessa coisa toda de dor, essa coisa fétida e indigna de qualquer sentimento real eu diria a mim mesma que nem mesmo a Senhora de olhos doces merece minha companhia.
Ela também me abandonou,e eu descobri que mereço

Trem.



 

Não sinto vontade de escrever. Sai tudo tão dolorido.
A maioria das pessoas que lê meus últimos post chora.
Eu também choro quando releio.
É que sai assim: compelido, intenso de dor.
Também não tenho mais vontade de fotografar.
Não consigo ver a foto antes do ato de fotografar, e estas me estalavam feito flashs instantâneos e rápidos ao olhar.
Faço os movimentos maquinais: coloco o cartão de memória, a bateria, acerto as configurações, mas.... não consigo levar a câmera aos olhos.
Somente tem me sobrado força para as atividades maquinais.
Isto me lembra do trem, eu queria ter andado de trem, mas não era o dia do trem.
Naquele dia tudo foi tão perfeito! Dia de sonho.... só faltou o trem.
Isto me lembra outra imagem: a dos idosos na pauta fotográfica no asilo, o olhar parado no nada, distante... alguns olhos tristes, alguns nem andavam.
Outros dançavam, riam, falavam alto.
Uma senhora cujo corpo tinha um formato de V, de olhos castanhos doces me explicou o que meus olhos sedentos de entender perguntavam:
“Nós velhos vivemos das nossas lembranças, os que têm mais lembranças boas reagem melhor...”
Chorei novamente pensando nisto, relembrei cada pequeno momento de um dia perfeito, fiz exercício com minha memória, como se de alguma forma eu pudesse esquecer (impossível), talvez este dia me torne uma idosa mais luminosa.
O problema vai ser ficar repassando o mesmo dia repetidas vezes.... Meu coração com certeza necessita de outros dias perfeitos com ou sem trem.   

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sentida.

Um dia a muito tempo atrás alguém me disse:
_ Não fique como um zumbi em busca de dor.
Caralho, já faz tanto tempo e eu não consigo aprender.
Vou tentar digerir cada palavra que me atravessou o peito.
Todo mundo tem direito de expressar sua dor.
Eu expresso aqui a minha e não peço licença, quem ousar leia, e afinal de contas fui eu quem novamente procurei a dor, busca insana e totalmente irracional, daquelas coisas que a gente faz por que a gente é assim, sendo foda pra gente ou não.
E isso era uma das coisas que eu queria mudar em mim, to sempre buscando a dor, idiotamente eu sei que vou me foder, mas como um viciado quando vejo já estou lá... enfim, tolice também tentar me explicar.
Eu não busco ser entendida. Que essa merda fique bem claro.
Vamos lá, digerindo a dor como um maldito moedor de carne:
Nunca na minha vida eu consegui ser metade. Nunca.
Eu sempre fui inteira e isso me custou muito, coisas boas, muito boas e coisas ruins e muito ruins.
Eu nunca consegui (confesso que tentei algumas vezes) usar mascaras,
elas seriam mais fáceis em qualquer ambiente, no profissional então nem se fala, mas eu nunca consegui, sempre fui eu mesma e isso também me custou muito, é só enxergar o que sou agora: nada.
Eu não profano os sentimentos de ninguém, e odeio ter esse poder de controle sobre as pessoas, odeio ser interessante e diferente pra elas, eu queria que elas me enxergassem como eu sou, de verdade, e mesmo não usando nenhuma mascara as pessoas não enxergam, as pessoas enxergam o que elas querem.
E eu não tenho problema nenhum de me julgar escrota na minha dor.
Na dor sai assim: cuspido de dor intensa.
Alguém muito importante me disse que muita gente projeta em mim algo que eu não sou.
Começo a acreditar nisso. As pessoas gostam desta projeção e não realmente de mim, por que eu sou foda demais, muito difícil de amar.
Eu não dou as costas, eu me sangro. Quem me conhece profundamente sabe disso, e às vezes eu julgo que algumas pessoas me conhecem profundamente e... descubro que elas também conheciam aquela projeção e isso dói pra caralho, gente, vcs não tem noção...
Eu sangro pra proteger. Eu protejo profundamente aos que amo.
Eu sei sentir quando faço mal, quando viver comigo é prejudicial, quando toda a minha proteção vira dor, medo, vontade de fugir de mim, eu sinto isso, eu sinto quando as pessoas não podem mais viver comigo... e ai mesmo  isso me destruindo por dentro eu saio, saio correndo sim mas  pra vc ser feliz.
Ninguém nunca vai entender isso. E repito eu não busco ser entendida.
Não são as mascaras que caem e sim a projeção que as pessoas fizeram de mim, o verdadeiro eu, esse ... Esse não inventaram amor para conviver com ele ainda.  Mesmo que eu me iluda dizendo que existe, a resposta a este relato prova justamente que não há.
Realmente é muito difícil reconstruir depois de muitas mortes.
Eu bem sei disso, me sinto morta quando o dia começa e sei que não vou viver o que merecia viver.
A morte nunca foi simbólica. Eu a vivencio todos os dias. Dela posso
falar com propriedade e maestria. Às vezes eu sou ela, sou a própria morte quando sangro pra proteger, pra fazer alguém feliz que nunca sou eu.
Enfim, e o enfim não significa um resumo, eu não faço mesmo nenhum sentido.
Eu sou pra ser sentida, não entendida.
E quem puta que pariu um dia vai conseguir sentir de verdade, essa mesma que eu sou.
Eu peço isso como um último pedido a essa passagem que eu sei tá acabando pra mim: alguém me sinta, por favor.

Ouvindo Agora e Muito: Obrigada, Tulipa por sua sensibilidade e doçura, meu coração machucado agradece.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Primeiro Post da Série: Leia Ouvindo. O que seus olhos dizem + Le Moulin Yann Tiersen.


Olhei bem no fundo de seus olhos e quase me perdi
No estado inebriante que os seus olhos me causam,
Mas me controlei e perguntei:
- Como vc consegue me deixar?
As pupilas de seus olhos dilataram e me responderam
O que hoje tento inutilmente negar a mim mesma.
Tua boca balbuciou, fraquejou ao não me responder, mas me disse onde eu estaria hoje:
- Um tempo de solidão e dor.

Primeiro Post da Série: Leia Ouvindo. O que seus olhos dizem + Le Moulin Yann Tiersen.

Tempo


Temos 3 horas.
A primeira hora vou usar beijando sua boca.
A segunda hora vou brincar com seu corpo e lhe fazer rir.
Ops! Nos resta apenas uma hora para que eu ame deliciosamente seu corpo e toda uma eternidade para
te fazer entender que para este tipo de amor não existe tempo cronológico que o faça morrer.


domingo, 13 de maio de 2012

Meu presente.



 
Mãe, não deixe que digam que eu te abandonei. Não mãe, eu simplesmente descobri depois de todos esses anos como te fazer mais feliz.
Eu precisei tornar-me mãe para te compreender melhor, senti a mesma angustia que vc sentiu de total incompetência por não saber o que colocar no prato da próxima refeição dos seus filhos, como protegê-los de tanta necessidade, como fazer uma criança com fome ou frio continuar a sorrir, uma criança que não faz a mínima noção do por que vc esta mudando de casa, por que vc briga quando ele deixa resto no prato, por destruir a mochila da escola, os tênis...
Partilhamos muitas coisas nesta passagem, mãe, eu te entendi muitas vezes, nos amamos muitas vezes, mas nos magoamos mais...
Muita magoa e dor, nossa conta com certeza não fecha nesta vida... e a maior culpa disto é minha.
Hoje eu sei mãe que vc como algumas outras pessoas se sentem muito mal por serem vulneráveis a mim...Por que eu sei que todas as vezes que eu precisei de vc, vc sempre fez o possível para me ajudar, do seu jeito, as vezes torto,as vezes errado, mas sempre querendo que eu não sofresse tanto, meus problemas, minhas enrascadas, tudo vc tentou amenizar pra mim, e eu te digo vc não faz a mínima idéia de que essa vulnerabilidade me faz sofrer demais... Pois eu só queria o que todo mundo quer: queria o seu amor incondicional, queria te abraçar e pedir que vc nunca me abandona-se..
Mas esta passagem de vida talvez seja para que eu aprenda a ser abandonada, a ter confiança e segurança em mim mesmo, em ter amor próprio o suficiente para não necessitar do amor de mais ninguém..., mas essa lição eu não aprendi ainda.
Enfim, eu descobri o melhor presente para lhe dar: minha ausência.
Por que longe de mim vc pode ser feliz.
Eu não corro de vc, eu corro para vc ser feliz. Assim como vc grita com vc e não comigo quando me disse tantas vezes a quão fraca eu estava sendo.
Longe de mim vc não sabe dos meus problemas, da minha tristeza, das minhas enrascadas e não corre o risco de sofrer.
Vc é feliz assim: longe de mim.
Meus irmãos podem suprir o carinho que não te dou a atenção, a presença.
A vc basta saber que eu estou aqui.
Parabéns mãe por nosso dia.
Mas nos sabemos dentro da nossa linguagem muda e distante todos os dias pensamos uma na outra, como pessoas que ainda tem muito a acertar em outras vidas, ou quem sabe ainda nesta.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

"São coisas boas e ruins misturadas."


Não consigo achar melhor definição do que esta:
“Coisas boas e ruins misturadas”, a frase não é minha.
Muitas vezes outras pessoas se expressam melhor do que eu e conseguem dizer exatamente o que eu não consigo.
Aqui mesmo no blog sigo o “Anjo Maldito”, meu amigo de linhas e entrelinhas e este muitas vezes escreve que eu não consegui escrever.
Acho que isto é natural, alguém sempre vai compor uma música que vai dizer o que nosso coração não consegue, uma poesia, um filme...
Mas a frase acima neste momento veste meu coração como um cobertor feito de encomenda, um cobertor fino e velho que pouco aquece, mas é essencial nas madrugadas perambulando pelas ruas sinistras de São Paulo.
Na maioria das vezes tento frear minha mente, tento inutilmente comandá-la, dizer a ela: não pense nisso, não pense mais nisso, não pense nisso a cada milésimo de segundo do seu dia, não seja este o seu primeiro pensamento do dia, o que perturbou o seu pouco sono, o último do dia, enfim...
Coisas boas e ruins misturadas, como comer salgado com doce, como colocar muito açúcar no café e alterar seu sabor, mas ainda é café... e eu adoro café.
Meu filho me disse esses dias que gosta de escrever sobre o tempo, o tempo o fascina... ah ilusão antiga julgar que o tempo cura tudo...tanto tempo já se passou e não cura, não cura por que não é doença apesar de ser dor intensa.
Doença sem cura? Também não. Pois a doença sem cura tem fim na morte, e eu a procuro e ela me diz: “Não tem jeito, para nós não existe mais acertos, negociações, dialogo...” Pois é , a linda senhora, a elegante Morte me dando o fora... e de novo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

UM ENIGMA EMBRULHADO PRA PRESENTE...

Audrey por Richard Avedon




Presente? Que presente?
A maior decepção da minha vida.
A dor mais profunda por que nem mesmo todas as horas a fio chorando a fazem diminuir.
O abandono mais completo que um ser dependente do amor do outro possa sentir em cada poro do seu corpo.
O assassinato cruel, a facada mais profunda e lenta, a morte concretizada do amor.
E o lençol de fel forra minha cama, pois nem ódio, sentimento este que na dúvida acalentaria essa morte gélida, dura e visceral é servido no jantar.
Foi negado o simples e corriqueiro ato de odiar, pois isto teria tornado tudo tão mais leve, o futuro mais permeado de uma
Gotícula de esperança na vida, intitulada assim de burra e imbecil por não conseguir odiar.
Que presente... mas merecida dele, dona dele e este estará embrulhado nas entranhas da alma, no lugar mais escuro e fundo por esta e muitas outras vidas. 

sábado, 5 de maio de 2012

A escrotice humana.

Mario Cravo



Ele agora lê Saramago.
Conversamos sobre este mestre e a obra que ele quis começar a conhecer do mesmo.
É com orgulho que digo que já no começo do livro ele matou uma das charadas do tema: todos somos iguais. Mesmo que nos esforcemos para dizer que somos diferentes.
Ele ainda vai conhecer nesta obra o lado mais escroto do ser humano.
Mas já é um premio a delicia da descoberta, pois tenho certeza de que
muitos que o leram não sacaram.
E sabe me deu vontade de escrever sobre a escrotice humana.
Eu sempre acreditei que as pessoas podiam ser melhores, que no fundo
elas queriam “ser” melhores.
No trabalho, na família, nas amizades, nas relações sociais, muitos me taxam de idiota por simplesmente não deixar de acreditar no ser humano, que ele possa ter algo de bom.
Que se ele mentiu foi para proteção, por medo, insegurança.
Se traiu o outro como amigo, filho, amor, no fundo algo o fez ter este gesto que o fez sofrer mais do que o outro, não falo de traição carnal, falo talvez da traição parecida como a de Caim no livro do mesmo mestre acima.
Mas esta passagem de vida quis me ensinar isto, pro bem ou pro mal, talvez para não acreditar mais tão fielmente no ser humano: existem pessoas totalmente escrotas.
Que mentem o tempo todo, que traem a si e aos outros o tempo todo, que ferem e não querem ser melhores porra nenhuma o tempo todo.
Pois é Saramago, vc tentou me mostrar, talvez o meu discípulo de leitor aprenda antes de mim contigo com mais expertise.
E o que a gente pode fazer? Nada. Eu sei é foda ouvir isto de uma otimista de plantão, daquela que se orgulhava de não “desistir das pessoas”, é foda, mas é a real, sem sucrilhos nenhum no prato: não se pode fazer nada.
A escrotice das pessoas não vai mudar se vc tentar ajudá-las, por que porra elas não querem sua ajuda, seu amor, sua alma, ah não adianta Caetano “se eu tivesse mais alma pra dar eu daria”, eu dei e não mudou meu querido, e Criolo eu também fui adepta da tua doçura de homem feito e acreditei que as” pessoas não são más elas só estão perdidas”,
ah como  é bom sentir tua doçura de homem com barba por fazer, mas...
Bem abram as portas da realidade pra mim. Me torno mais dura, mais atenta mas com toda certeza menos idiota.
Aos escrotos um recado: Acabou o tempo pra vcs! Iludam outra idiota de janelinha.  
Perdoem-me se também estou sendo escrota neste momento, se choco vc com isto, mas: “somos todos iguais”, lembra?
Com a grande diferença que eu ainda quero ser melhor, ainda doar minha alma a quem valha à pena, ainda sou tudo o que vc quiser tirar de mim, se vc como eu também for um escroto com intenção de ser um dia melhor.

Memória Emotiva. ( A minha maninha Anica.)


D. Dolores no gol, sempre segurando todas!

Não gosto. Algo se tranca em mim. Fico arredia. Bicho acuado.
Não gosto quando quebram as coisas por raiva.
Não é pelo valor financeiro ou sentimental do objeto, também não é por apego material.
Dói por que remete a uma memória emotiva triste, ruim, de brigas.
Foi assim na casa de meus pais, dos meus irmãos e na minha.
As pessoas não entendem o pânico que se instala pelo simples gesto do objeto levantado em direção ao chão, dá medo e dor, o peito fica apertado e o choro vem.
Ah, como seria bom termos mais memórias emotivas boas para trocar do que ruins... 
É aquela conta de amor que nunca fecha os momentos ruins, os momentos bons, mas viver e amar é isto afinal, o amor é feito também de momentos ruins, por vezes são estes momentos quer fortalecem o amor, ou deveria ser assim, mas o ser humano...
Mas que tal fazer esse exercício importante para o nosso coração: vamos lembrar as memórias emotivas boas que preenchem nossa vida.
Algumas me brotam instantaneamente e já sinto a alma sorrindo.
Vai essa pra você, maninha: nossa irmã molhada, ou melhor, ensopada por ter sido arrastada no rio pelo cachorro, nosso pai fazendo troça do nervoso da mamãe quando ela jogou um prato de comida nele, o medo que senti de te perder quando o desvairado do seu namorado (naquele momento) te segurou no colo para fora da varanda do prédio....
A vocês, boa viajem, talvez se surpreendam com tantas boas memórias emotivas.