Não sinto vontade de escrever. Sai tudo tão dolorido.
A maioria das pessoas que lê meus últimos post chora.
Eu também choro quando releio.
É que sai assim: compelido, intenso de dor.
Também não tenho mais vontade de fotografar.
Não consigo ver a foto antes do ato de fotografar, e estas me estalavam feito flashs instantâneos e rápidos ao olhar.
Faço os movimentos maquinais: coloco o cartão de memória, a bateria, acerto as configurações, mas.... não consigo levar a câmera aos olhos.
Somente tem me sobrado força para as atividades maquinais.
Isto me lembra do trem, eu queria ter andado de trem, mas não era o dia do trem.
Naquele dia tudo foi tão perfeito! Dia de sonho.... só faltou o trem.
Isto me lembra outra imagem: a dos idosos na pauta fotográfica no asilo, o olhar parado no nada, distante... alguns olhos tristes, alguns nem andavam.
Outros dançavam, riam, falavam alto.
Uma senhora cujo corpo tinha um formato de V, de olhos castanhos doces me explicou o que meus olhos sedentos de entender perguntavam:
“Nós velhos vivemos das nossas lembranças, os que têm mais lembranças boas reagem melhor...”
Chorei novamente pensando nisto, relembrei cada pequeno momento de um dia perfeito, fiz exercício com minha memória, como se de alguma forma eu pudesse esquecer (impossível), talvez este dia me torne uma idosa mais luminosa.
O problema vai ser ficar repassando o mesmo dia repetidas vezes.... Meu coração com certeza necessita de outros dias perfeitos com ou sem trem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário