Rascunhos
terça-feira, 26 de maio de 2015
Pensei.
Me masturbei, fiz um poema e: pensei.
Dei uma tragada, aspirei fundo e: pensei.
Bebi um gole do destilado mais forte que sobrou,
acariciei o cachorro e: pensei.
Completei a dose, dei o último trago e: pensei.
Aumentei o som, cantei em espanhol e: pensei.
Deitei no chão gelado, expulsei os sapatos e: pensei.
Peguei o livro de fotos abandonado no chão, escolhi uma imagem,
a comi com olhos gulosos e: pensei.
Larguei o livro, olhando para baixo prometi de novo começar
a correr amanhã e: pensei.
Depois algumas nuvens depois: tomei banho, reli o poema,
dei a última tragada, terminei a bebida, o cachorro dormia,
desliguei o som, guardei o livro, me transbordei de silêncio
e repetidamente de maneira insuportável: pensei.
Pensei em você.
Azul e Cinza.
Eu nunca me defendo.
Não me defendo do abraço frio,
do beijo morno, das palavras rudes, do falso amor.
Recebo tudo.
Entre nós não há filtros, nem medidas, nem perdões
insinceros, nem liberdades controladas.
Eu não te como, eu te fodo,
eu não te beijo, te aspiro a essência
eu não te abraço, te adenso o corpo,
eu sou o azul você o cinza.
Mito.
Traço no seu corpo minha arte menor,
defino o contorno com a ponta dos dedos,
escolho o tom entre o preto e o cinza,
carrego de intensidade com os pigmentos mais brutos,
mas quem disse que o monótono não pode ser belo?
O mesmo desenho melódico percorrendo seus acidentes geográficos.
O que diria a Filosofia, o saber maior, deste amor que o espírito novo desdenha, faz troça e zomba ao dizer que se o santo um dia também foi homem está consentido os bens mundanos e profanos deste amor.
Abro cheia de felicidade as portas das suas catedrais,
lindas catedrais brancas...
Afinal, para que desfazer o mito quando ele é lindo demais ?
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Tratado da Sedução
Procuro uma maneira de habitar-te poeticamente.
Através dos gestos das minhas mãos em teu corpo inicio a fundação do nosso mundo.
A carne da pintura do nosso amor é suada e frenética, desenha nossa obra-prima como a conspiração do silêncio, entrecortado de gemidos.
Nossa sexualidade é povoada de criatividade em um mundo sem os outros.
No canto de seus olhos uma lágrima, no fundo deles o endereço de onde a terra acaba.
E neste endereço deixarei embaixo do tapete da porta a chave do meu coração.
Você : meu presente em forma de virtude, pois no caminho da virtude tornou-se vício.
Terminamos juntos mais um esboço de libertação e cultuando a memória do que acaba de ser um amor pleno, já sinto novamente meu coração em ruinas.
Através dos gestos das minhas mãos em teu corpo inicio a fundação do nosso mundo.
A carne da pintura do nosso amor é suada e frenética, desenha nossa obra-prima como a conspiração do silêncio, entrecortado de gemidos.
Nossa sexualidade é povoada de criatividade em um mundo sem os outros.
No canto de seus olhos uma lágrima, no fundo deles o endereço de onde a terra acaba.
E neste endereço deixarei embaixo do tapete da porta a chave do meu coração.
Você : meu presente em forma de virtude, pois no caminho da virtude tornou-se vício.
Terminamos juntos mais um esboço de libertação e cultuando a memória do que acaba de ser um amor pleno, já sinto novamente meu coração em ruinas.
sábado, 13 de dezembro de 2014
Esse ano.
![]() |
| Hector Olguin |
Reflexão estúpida de final de ano.
Esse ano perdi pessoas muito importantes na minha vida.
Esse ano ganhei pessoas, mas elas não conseguiram se tornar importantes.
Esse ano descobri que pessoas que era muito importantes tornaram-se
menores.
Esse ano conheci lugares novos com olhares novos.
Esse ano revisitei lugares antigos com olhares velhos.
Esse ano chorei mais e sorri mais amargurado.
Esse ano não concretizei sonhos e tirei alguns da lista de
sonhos para embalar na lista de ilusões.
Esse ano eu conheci tantas pessoas sozinhas, absurdamente
solitárias
por opção, por medo de se entregar.
Esse ano muitas pessoas ficaram com medo de mim como em
todos os
outros anos. E
novamente eu só tentei dizer que: “ eu não posso causar mal nenhum, a
não ser a mim mesmo.”
Esse ano pessoas ligadas à religião me procuraram, tentaram
me salvar.
Esse ano eu li mais. Consequência da solidão que este ano
ganhou primeiro lugar
no ranking dos sentimentos.
Esse ano fiz mais fotos e continuo buscando a ausência fotográfica,
projeto sem fim,
pois o fim se dá em mim mesmo.
Esse ano como em todos os anos me decepcionei demais com
algumas pessoas, e
chego a conclusão que eu devo mesmo aprender ( por mais
tarde que seja) a
desistir das pessoas.
Meu balanço foi mais triste? Ou será que sou eu que não
tenho medo de mostrar minha tristeza, de me mostrar frágil e que você pode se
quiser me esmagar.
Sinto muito se não sou eu quem vai te dar uma mensagem
bonita de final de ano.
Por que eu sei da tua tristeza apesar de você esconder ela no
Insta, no Face, na Vida.
De todos os balanços dois me deixam muito mais pesada neste
final de ano:
Escrevi menos poemas, o que significa que não consegui fazer
as pazes com minhas
palavras,rabiscos,rascunhos,retalhos de brisa que são o néctar
do meu prazer.
O outro motivo dói tanto que não sei se consigo transforma-lo
em palavras, pelo
menos palavras objetivas, o que eu estou pouco me fudendo
este ano e em todos
os outros para tentar ser, então...
Esse ano estou perdendo minha sombra.
Esse ano estou perdendo meu melhor poema.
Esse ano estou perdendo minha foto mais verdadeira e tátil.
Esse ano estou perdendo o que deu sentido a minha vida
muitas e muitas vezes.
Estou perdendo um amigo que é parte de mim como minha pele,
meus ossos e meu sangue.
Eu estou perdendo e me perdendo com essa perda.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Retalhos de Poema II
Retalhos de Poema I
Assinar:
Postagens (Atom)





