sábado, 13 de dezembro de 2014

Esse ano.




Hector Olguin


Reflexão estúpida de final de ano.
Esse ano perdi pessoas muito importantes na minha vida.
Esse ano ganhei pessoas, mas elas não conseguiram se tornar importantes.
Esse ano descobri que pessoas que era muito importantes tornaram-se
menores.
Esse ano conheci lugares novos com olhares novos.
Esse ano revisitei lugares antigos com olhares velhos.
Esse ano chorei mais e sorri mais amargurado.
Esse ano não concretizei sonhos e tirei alguns da lista de sonhos para embalar na lista de ilusões.
Esse ano eu conheci tantas pessoas sozinhas, absurdamente solitárias
por opção, por medo de se entregar.
Esse ano muitas pessoas ficaram com medo de mim como em todos os
 outros anos. E novamente eu só tentei dizer que: “ eu não posso causar mal nenhum, a
não ser a mim mesmo.”
Esse ano pessoas ligadas à religião me procuraram, tentaram me salvar.
Esse ano eu li mais. Consequência da solidão que este ano ganhou primeiro lugar
no ranking dos sentimentos.
Esse ano fiz mais fotos e continuo buscando a ausência fotográfica, projeto sem fim,
pois o fim se dá em mim mesmo.
Esse ano como em todos os anos me decepcionei demais com algumas pessoas, e
chego a conclusão que eu devo mesmo aprender ( por mais tarde que seja) a
desistir das pessoas.
Meu balanço foi mais triste? Ou será que sou eu que não tenho medo de mostrar minha tristeza, de me mostrar frágil e que você pode se quiser me esmagar.
Sinto muito se não sou eu quem vai te dar uma mensagem bonita de final de ano.
Por que eu sei da tua tristeza apesar de você esconder ela no Insta, no Face, na Vida.
De todos os balanços dois me deixam muito mais pesada neste final de ano:
Escrevi menos poemas, o que significa que não consegui fazer as pazes com minhas
palavras,rabiscos,rascunhos,retalhos de brisa que são o néctar do meu prazer.
O outro motivo dói tanto que não sei se consigo transforma-lo em palavras, pelo
menos palavras objetivas, o que eu estou pouco me fudendo este ano e em todos
os outros para tentar ser, então...
Esse ano estou perdendo minha sombra.
Esse ano estou perdendo meu melhor poema.
Esse ano estou perdendo minha foto mais verdadeira e tátil.
Esse ano estou perdendo o que deu sentido a minha vida muitas e muitas vezes.
Estou perdendo um amigo que é parte de mim como minha pele, meus ossos e meu sangue.
Eu estou perdendo e me perdendo com essa perda.

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