Um dia a muito tempo atrás alguém me disse:
_ Não fique como um zumbi em busca de dor.
Caralho, já faz tanto tempo e eu não consigo aprender.
Vou tentar digerir cada palavra que me atravessou o peito.
Todo mundo tem direito de expressar sua dor.
Eu expresso aqui a minha e não peço licença, quem ousar leia, e afinal de contas fui eu quem novamente procurei a dor, busca insana e totalmente irracional, daquelas coisas que a gente faz por que a gente é assim, sendo foda pra gente ou não.
E isso era uma das coisas que eu queria mudar em mim, to sempre buscando a dor, idiotamente eu sei que vou me foder, mas como um viciado quando vejo já estou lá... enfim, tolice também tentar me explicar.
Eu não busco ser entendida. Que essa merda fique bem claro.
Vamos lá, digerindo a dor como um maldito moedor de carne:
Nunca na minha vida eu consegui ser metade. Nunca.
Eu sempre fui inteira e isso me custou muito, coisas boas, muito boas e coisas ruins e muito ruins.
Eu nunca consegui (confesso que tentei algumas vezes) usar mascaras,
elas seriam mais fáceis em qualquer ambiente, no profissional então nem se fala, mas eu nunca consegui, sempre fui eu mesma e isso também me custou muito, é só enxergar o que sou agora: nada.
Eu não profano os sentimentos de ninguém, e odeio ter esse poder de controle sobre as pessoas, odeio ser interessante e diferente pra elas, eu queria que elas me enxergassem como eu sou, de verdade, e mesmo não usando nenhuma mascara as pessoas não enxergam, as pessoas enxergam o que elas querem.
E eu não tenho problema nenhum de me julgar escrota na minha dor.
Na dor sai assim: cuspido de dor intensa.
Alguém muito importante me disse que muita gente projeta em mim algo que eu não sou.
Começo a acreditar nisso. As pessoas gostam desta projeção e não realmente de mim, por que eu sou foda demais, muito difícil de amar.
Eu não dou as costas, eu me sangro. Quem me conhece profundamente sabe disso, e às vezes eu julgo que algumas pessoas me conhecem profundamente e... descubro que elas também conheciam aquela projeção e isso dói pra caralho, gente, vcs não tem noção...
Eu sangro pra proteger. Eu protejo profundamente aos que amo.
Eu sei sentir quando faço mal, quando viver comigo é prejudicial, quando toda a minha proteção vira dor, medo, vontade de fugir de mim, eu sinto isso, eu sinto quando as pessoas não podem mais viver comigo... e ai mesmo isso me destruindo por dentro eu saio, saio correndo sim mas pra vc ser feliz.
Ninguém nunca vai entender isso. E repito eu não busco ser entendida.
Não são as mascaras que caem e sim a projeção que as pessoas fizeram de mim, o verdadeiro eu, esse ... Esse não inventaram amor para conviver com ele ainda. Mesmo que eu me iluda dizendo que existe, a resposta a este relato prova justamente que não há.
Realmente é muito difícil reconstruir depois de muitas mortes.
Eu bem sei disso, me sinto morta quando o dia começa e sei que não vou viver o que merecia viver.
A morte nunca foi simbólica. Eu a vivencio todos os dias. Dela posso
falar com propriedade e maestria. Às vezes eu sou ela, sou a própria morte quando sangro pra proteger, pra fazer alguém feliz que nunca sou eu.
Enfim, e o enfim não significa um resumo, eu não faço mesmo nenhum sentido.
Eu sou pra ser sentida, não entendida.
E quem puta que pariu um dia vai conseguir sentir de verdade, essa mesma que eu sou.
Eu peço isso como um último pedido a essa passagem que eu sei tá acabando pra mim: alguém me sinta, por favor.
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