É tanto silencio que sinto medo.
O silencio explica mesmo toda uma existência?
Caminhando pelas ruas procuro encontrar no rosto das pessoas
estranhas
Alguma coisa boa. Um barulho. Um som. Poderia ser até um olá
ou um sorriso
Cheio de sons.
Menos o silencio.
Como nada encontro entro no barulho dessa cidade louca que
nos engole:
Carros, buzinas, crianças na rua, pessoas brigando, ônibus,
mas de repente me
Perco no desenho bonito que o sol faz naquele sobrado
novinho. Enche o sobrado de vida. Nunca ninguém morou lá. Nunca ninguém dormiu
lá, ficou vendo TV ou na internet de bobeira.
O sobrado banhado de sol esta tão sozinho como eu.
Mas o sol não me aquece. Tem essa sombra gigante de árvore
velha que me cobre do sol.
É a árvore da minha alma. Grande, frondosa, cheia de galhos
de caminhos desconexos.
Enfim o silencio me toma novamente no delírio de me perder
apreciando imagens.
Amo as imagens, continuo as fotografando na retina do olhar,
a máquina?
Encostada na sombra de minha árvore-alma esperando...
Esperando o que?
Esperando esse silencio passar. Esse dia passar. Essa dor de
falta de som passar.
Um dia muito repleto de mim. E nem eu me agüento sozinha,
sou demais até pra mim mesma.
Queria tanto ser sol, mas sou sombra. Sombra hoje fria.
Essa coisa de querer ser Sol me lembrou Maiakóvski ou algum outro poeta russo, como uma tal de Marina Tsvetáieva:
ResponderExcluir"O sol é um só. Por toda parte caminha.
Não o darei a ninguém. Ele é coisa minha.
Nem por um raio. Nem por um olhar. Nem por um instante. A ninguém. Nunca.
Que morram as cidades numa noite constante!
Nos braços vou apertar, que não possa girar!
Faço as mãos, os lábios, o coração queimar!
Se desaparecer na noite infinita, no encalço hei de correr...
Meu sol! A ninguém o darei!"
Muito bonito este poema , Aurea Cristina...
ResponderExcluirObrigada por partilhar comigo.
Abraço forte.