sábado, 4 de dezembro de 2010

O lugar.




No lugar é bom que se tenha uma ampla janela sem grades que emoldure um bom pedaço de céu, para que eu possa ver as nuvens deslizando pelo céu azul ou mesmo a força dos pingos de chuva.
No lugar é bom que se tenha sempre que possível um café forte a mão, que seu preparo seja descomplicado e que o aroma entre pelos pulmões sem pedir permissão, que a caneca onde seja servido seja grande e grossa.
O café é uma das bebidas que mais gosto.
No lugar é bom que tenha uma rede para as tardes preguiçosas de verão.
Uma rede grande, azul de preferência (adoro a cor azul) onde possam confortavelmente deitar dois corpos.
No lugar é bom que se tenha muitos livros de diversos assuntos guardados ou espalhados ou até mesmo empilhados em uma ordem secreta que só quem os lê entenda.
No lugar é bom que se tenha poucos moveis para que se possa correr de uma planejada travessura.
No lugar é bom que se tenha um mossô, pois estes crescem de forma desconexa, torta e linda como as histórias da vida.
No lugar é bom que o vento habite freqüentemente para que o uso de poucas roupas se torne um hábito agradável, mas é bom que exista também um tapete para as noites frias e nestas noites troca-se (somente nestas) o café por um cremoso chocolate quente.
 No lugar é bom que se tenha um canto preparado para conversas, curtas ou longas, sérias ou sem nenhuma intenção a não ser a bubuia das palavras.
No lugar é bom que se tenha um pequeno jardim com girassóis para as borboletas brincarem e voltarem sempre.
No lugar não podem entrar gritos, medos ou brigas.
Que as pessoas sintam que é bom lugar, onde habita o amor simples, os gestos simples, o ser simples e que todos se sintam tão à vontade e com o coração leve que ali não seja possível e nem necessário mentir.
Vamos então ao poucos fazer esse lugar existir, transformar o nosso lugar neste lugar.
No espaço físico e no recanto da alma.

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