Minhas palavras são uma resposta
ao lamento de amor.
Aos longos dias cheios de
lamentos.
A tristeza expansiva é cheia de
arroubos, comovida, doída.
É a tristeza certa para os
poetas, só é poeta quem sabe sofrer.
Descobri que sofri tanto, tantas
foram as minhas tristezas demonstradas em
lágrimas que pareciam nunca
findar, mesmo quando chorando em silêncio,
chorando sem lágrimas, chorando com
um sorriso para que os que não sofrem
não me identificassem, mesmo assim...
hoje sofro diferente.
Meu sofrer é seco. Ah sim as
lágrimas ainda vem,como agora,mas são duras.
Como se um deserto se apodera-se
de mim.
E o pior dessa nova dor é que aos outros ela não parece dor,não que eu tenha
que justificar a alguém minha dor, não... Foda-se os outros!
Os que me rodeiam sabem que
sempre fui composta de boa parte dela,
que a vida em mim tem um bocado de morte também.
Ah se eu pudesse esvaziar também
meu coração e minha cabeça...
Como dói pensar tanto!
O que me é injetado na veia todos
os dias é a dureza escrota da vida,
empurrando a poesia como uma pedra gigante
empurra a água,empurra para os cantos de mim e vai transformando tudo em
deserto,em dor seca e rude.
O prazer doloroso aconteceria á
mim como um presente vertiginoso se eu consegui-se me despir de eu mesma, estancar o
grosso fio que me nutre de dureza,
despir de secura, do mormaço que fere os olhos e ser
toda água!
Ah eu me transbordaria em tanto prazer e o doloroso que trás o
cansaço do corpo, a sensação de ter travado uma luta corporal e suada, assim o amor
não seria contido, invadindo nossos corpos, nossos poros, sua alma...
Ah, como eu queria nos regar
todos os dias...
Já deixei tanta vida pra trás,
tanta vida que em um fragmento de tempo eu deixei escorrer das mãos...
A mesma
água que anseio,que desejo com dor,angústia e amor,me escorre pelos dedos.
E não vira poesia, pois não
remete a dor.
É seca. E ninguém gosta de dor ou poesia seca.

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