Sigo nesse
corredor branco.
Corredor que
leva ao meu fim.
Sigo olhando
em frente, não tenho do que ter vergonha.
Às vezes olho
para as portas que estão no decorrer deste corredor.
As portas são
as atitudes que tomei e as que deixei de tomar.
As pessoas
que conheci e as que perdi.
Meu medo esta
lá.
A alegria que
um dia eu tive tanto, também.
Tem uma porta
com minhas poesias empilhadas.
E os sonhos
que não concretizei também.
Tem uma porta
com seu nome.
Estremeço ao
passar por ela.
Meus algozes,
que gentilmente me conduzem pelo corredor, me questionam sobre meu último
pedido.
E sorrindo
penso mesmo que minha vida às vezes foi realmente um filme, mais drama que
comedia, mas filme.
Não penso nos
livros que não li.
Nas músicas
que não ouvi.
Nos quadros
que não vi, na poesia (a melhor) que não escrevi, na imensidão do mar batendo
em mim, que sempre me foi insuficiente.
Não tenho o
que pensar. Meu último pedido é simples: você.
Peço seu
corpo e com ele um amor urgente.
Peço seus
olhos castanhos. Peço suas mãos em mim.
Peço a
sensação plena de estar viva: você sobre meu corpo.
Peço todas as
suas caricias, seus pedidos, seus gemidos, seu fazer amor com amor.
Teu gosto e
gozo eternizados em mim.
O que mais
posso querer que tenha realmente válido a pena?
Você é o motivo
pelo qual caminho tão lentamente neste corredor e ao mesmo tempo é tudo o que
quero no final dele.
Serei eu
então um ser tão miserável assim a ponto de não ser atendido meu último pedido?
Seu amor e
sua clemência.
Afinal, o que
é o amor senão um pedido final.

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