segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Último Pedido.



Sigo nesse corredor branco.
Corredor que leva ao meu fim.
Sigo olhando em frente, não tenho do que ter vergonha. 
Às vezes olho para as portas que estão no decorrer deste corredor.
As portas são as atitudes que tomei e as que deixei de tomar.
As pessoas que conheci e as que perdi.
Meu medo esta lá.
A alegria que um dia eu tive tanto, também.
Tem uma porta com minhas poesias empilhadas.
E os sonhos que não concretizei também.
Tem uma porta com seu nome.
Estremeço ao passar por ela.
Meus algozes, que gentilmente me conduzem pelo corredor, me questionam sobre meu último pedido.
E sorrindo penso mesmo que minha vida às vezes foi realmente um filme, mais drama que comedia, mas filme.
Não penso nos livros que não li.
Nas músicas que não ouvi.
Nos quadros que não vi, na poesia (a melhor) que não escrevi, na imensidão do mar batendo em mim, que sempre me foi insuficiente.
Não tenho o que pensar. Meu último pedido é simples: você.
Peço seu corpo e com ele um amor urgente.
Peço seus olhos castanhos. Peço suas mãos em mim.
Peço a sensação plena de estar viva: você sobre meu corpo.
Peço todas as suas caricias, seus pedidos, seus gemidos, seu fazer amor com amor.
Teu gosto e gozo eternizados em mim.
O que mais posso querer que tenha realmente válido a pena?
Você é o motivo pelo qual caminho tão lentamente neste corredor e ao mesmo tempo é tudo o que quero no final dele.
Serei eu então um ser tão miserável assim a ponto de não ser atendido meu último pedido?
Seu amor e sua clemência.
Afinal, o que é o amor senão um pedido final.
      

  

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