terça-feira, 29 de outubro de 2013

Última Rodada



Lá vem aquela angustia. A garganta seca. Molho a boca.
Tudo fica mais brilhante. A mente frenética pulsa.
Sintomas. Quando chegam a este ponto não tem mais como retroceder.
Saudade e Medo.
Saudade do que não vivi e medo...  o de sempre. O mesmo. O que paralisa. O foda.
Olho para o céu na expectativa vã de uma resposta. De um som.
A lua hoje não me diz nada também me ignora.
Eu sei: silêncio. Um oco profundo e ácido.
Minha mente são cartas que blefam comigo. Jogam contra mim. E sempre vencem.
Saio da mesa cansada, esgotada e como sempre: não sei perder.
Eu não quero ser sensível assim.
Eu queria tanto esquecer também. Seguir em frente.
Mas não posso fingir que vivo assim: morrendo.
Alguém pode me ensinar a fingir felicidade? Só para não incomodar.
Eu tento respirar, mas a dor esmaga meu peito, aperta, dilacera, corta como papel novo,
 como palavras antigas dizendo: vc nunca muda.
Mas nem a lua quer ver o quanto eu mudei, se cobre de nuvem e me evita.
Eu queria ser racional, lógica, humana, rir de mim mesma, mas eu só sou: mulher.
Perdi nas cartas, no dadinho, na forca e...
Alguém topa jogar com o perdedor da última rodada? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário