terça-feira, 17 de setembro de 2013

Pulsando, ainda.



Flor arrancada pela raiz. O cheiro da terra eternizado em suas mãos.
Choro arrancado do peito. Da dor mais intensa. Às vezes mudo. Às vezes em soluços.
Uma explosão de luz que cega, que fere e castiga os olhos.
Um corte profundo na pele. Que sangra. Que faz ver os ossos.
Um trote agarrado à crina. Um cavalgar com as mãos soltas implorando para cair.
Um medo infantil e aterrorizante. Um grito seco. Às vezes oco. Às vezes ensurdecedor.
Um amor que se mata aos pouquinhos... Bem lento... Ferindo ali onde ninguém mais conseguiu ou sabe ferir.
Uma morte plena. Um cheiro de morte. Um gosto de morte. Um desejo de morte.
Uma morte apenas. Um amor apenas. Um amor desprezado. Assassinado.
Mas que continua pulsando como as coisas que não se explicam: são.
Vivo mas morto. Pulsando, mas só de dor.
Um cancro eterno. Uma ferida que não cicatriza. Apenas um amor. Dessa e de outras vidas.

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