quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Aperta.


Um forte cheiro de vomito.
Bolor. Uma pasta gosmenta de onde saem micróbios que parecem perdidos entrando e saindo das narinas, boca e ouvidos.
Aquele cheiro acompanhado do tremor das pernas que a gente só sabe qual é,  tem nojo, mas não consegue identificar o que é.
Uma massa fétida, um sangre preto escorrendo na via.

Eu. Meu peito.

Eu. Minha cabeça.

Eu.
O que restou do meu coração recolhido em pedaços desconexos por estranhos que compelindo sua ânsia amontoaram ali no canto.
Eu.
O que vc deixou sobrar de mim.
O vento sibila: Hoje eu não consigo dizer, mas eu vou conseguir...

Com um sol forte que cega o que sobrou pra eu ver, vejo seus olhos zombeteiros brincando com as palavras como uma pistola dentro da minha boca, tem apenas uma bala, mas vc não tem mais medo, 
cisca o gatilho e joga na “nuvem”sua felicidade nova e viva, sem gorduras, sem arestas, sem nada complicado pra resolver , sem um futuro: incerto, sem um sentimento: real...sinto o suor espesso escorrer
do meu rosto, estou apavorada, perdida, torpe e... vazia.

De repente vem à lição para um aluno que já não decifra as frases de giz na lousa:
Quando acaba o medo, o medo de perder quem se ama é porque já não há mais amor.

E vc não tem mais medo.

Grande merda do caralho de aprendizagem.
Foda-se esse circo onde eu sou o palhaço,o persuasivo leão que tem medo do chicote, a bailarina manipuladora , a serragem, a lona, a merda dos elefantes.


Não cisca mais o dedo. Aperta. Tenha um pouco de respeito por mim. Mata logo.  

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