Ela se foi, amigo.
Eu sei o que vc esta sentindo e sei que mesmo minha presença do teu lado não vai amenizar sua dor.
Ela se foi, amigo.
Sinto sua dor na voz, nos olhos, no corpo e posso senti-la em tua alma.
E por isso não te digo nada. O silêncio é amigo da dor.
Mas vou te abraçar muito. Ficar do seu lado. Em silencio, mas junto.
Ela se foi, amigo.
E independente de qualquer religião nos sabemos que ela não quer que vc sofra.
Por que ela trouxe vc a este mundo para aprender e hoje foi a
última lição que ela te deu.
Com o mesmo carinho das primeiras lições no caderno escolar.
Ela pegou na sua mão e te mostrou como era.
Ela se foi, amigo.
Foi para aprender outras coisas ou ensinar a outras pessoas.
Foi e talvez volte logo, mas pra vc, amigo, ela se foi.
Perder alguém que foi sempre uma referencia na nossa vida
nos deixa inseguros, com medo.
Alguém que perdoou o seu pior erro e te aplaudiu na sua melhor vitória.
Alguém que esteve sempre a teu lado. Como eu hoje.
Procuro preencher o espaço físico desta pessoa tão especial.
O espaço da alma, meu amigo...
Ela se foi, meu amigo.
Mas ainda existem aqui no nosso plano muitas pessoas que te
amam e querem ficar do seu lado, seja de que maneira for.
Ela se foi, meu amigo.
Vamos desejar a ela a melhor viagem, com paz e amor na alma.
Ela se foi, meu amigo.
Mas a vida continua para nós que ainda não completamos nossa
viagem que ainda temos tanto o que errar, acertar, perdoar, enfim,
Viver.
Quando você se foi, um buraco se abriu no meu dia, um vácuo incômodo se instalou e nunca mais partiu. Não posso medir o quanto a presença daquele nada, o quanto o sentimento sobre aquilo foi horrível, pois a pressão daquele momento me sugou todas as forças, toda a capacidade de raciocínio, toda a capacidade de sentir. Lembro que naquele momento de partida alguém teve que me lembrar: “você precisa respirar!” É estranho precisar ser lembrado de algo que você fez a vida toda sem pensar, sem formar um comando na mente, mas naquele momento eu precisei lembrar como se respira.
ResponderExcluirDepois desse impacto oco, veio o retorno de tudo que me foi tirado, como se todas as capacidades momentaneamente amortecidas retornassem juntas e amplificadas. Voltaram e tinham a forma de uma frase: “Você se foi!” Não viajou, nem foi comprar cigarros, mas se foi por completo, pra nunca mais voltar. E essa consciência me bateu como um muro de gelo arrebentando em meu rosto. Nunca mais iria ouvir o seu silêncio me dizendo o que não fiz, seu olhar calado aprovando ou não cada pequeno gesto meu, os raros momentos que você falava e os conselhos que vinham daí. Nesse momento percebi como o vazio, o nada e a ausência pesam na alma e na mente. Realmente a leveza é insustentável.
Sempre pensei que com o passar do tempo esse sentimento de perda, essa ausência ficaria mais fácil de suportar... Engano dos enganos! Passados tantos anos percebo que o sentimento é o mesmo que o buraco aberto não se fechou, ainda está lá como um corvo no umbral da porta que nunca conseguimos espantar, apenas vivemos com ele, acostumamos com sua presença tentamos (em vão) olhar para outro lado.
Hoje me sinto dividido, uma parte seguiu em frente, consciente de tudo que se passou e sobreviveu. Hoje essa parte vive, ama, cresce, compartilha experiências e é feliz. Porém, existe outra parte de mim que ainda está de pé, parado naquela mesma calçada, boquiaberto, com lágrimas nos olhos sem saber o que será da vida.
A vida segue em frente por nós, ou apesar de nós?