segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Kay


EVE ARNOLD1984



Ela  trancou-se no seu cofre de aço blindado.

Trancou as portas do seu coração a 7,8,9,10 quem sabe 14 chaves.

Do olho mágico dava uma espiadela às vezes, mas só em quem julgava que não seria perigoso ao seu universo paralelo.

Julgava, mas eram.
Todos eram perigosos a ela. Pois todos queriam que ela vive-se.

E ela vegetava ali, disfarçada entre uma vidinha medíocre e sem chamar muita atenção conseguia continuar  simulando uma respiração. 
Um sentimento.

A fina membrana que outrora nos separava, que selava nossos sentimentos, que nos nutria como um embrião em formação 
já não se vê mais.

Aquele abraço mudo que tudo dizia, a leitura das lágrimas que sustentávamos para que não caíssem e cobríamos com o nosso sorriso... Ninguém sabia ler isso. Somente nós.

Tudo isto agora acabou. No lugar a grossa camada de aço. Frio. Impenetrável.

Eu no soluço do choro enfim não mais contido, ouvi no escuro meu coração bater.

Sentindo-me viva e capaz de sentir a suave e linda membrana,
então  te estendi a mão e pedi aquele abraço. O nosso abraço. 

Nunca mais. Você sussurrou por debaixo da porta de aço blindado.

Senti navalhas pontiagudas me penetrarem o peito.  Não foi sangue que escorreu.

Foi algo fino, mágico e só nosso: uma fina membrana escorrendo do peito, molhando meu corpo como um imenso mar a me engolir.

Membrana. Abraço. Aço. Amor. 
O coração bate fraco e descompassado agora.

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