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| EVE ARNOLD1984 |
Ela trancou-se no seu cofre de aço blindado.
Trancou as
portas do seu coração a 7,8,9,10 quem sabe 14 chaves.
Do olho
mágico dava uma espiadela às vezes, mas só em quem julgava que não seria perigoso ao
seu universo paralelo.
Julgava, mas
eram.
Todos eram perigosos a ela. Pois todos queriam que ela vive-se.
E ela
vegetava ali, disfarçada entre uma vidinha medíocre e sem chamar muita atenção conseguia
continuar simulando uma respiração.
Um
sentimento.
A fina
membrana que outrora nos separava, que selava nossos sentimentos, que nos nutria
como um embrião em formação
já não se vê mais.
Aquele abraço
mudo que tudo dizia, a leitura das lágrimas que sustentávamos para que não
caíssem e cobríamos com o nosso sorriso... Ninguém sabia ler isso. Somente nós.
Tudo isto
agora acabou. No lugar a grossa camada de aço. Frio. Impenetrável.
Eu no soluço
do choro enfim não mais contido, ouvi no escuro meu coração bater.
Sentindo-me
viva e capaz de sentir a suave e linda membrana,
então te estendi a mão e pedi aquele abraço. O nosso
abraço.
Nunca mais.
Você sussurrou por debaixo da porta de aço blindado.
Senti navalhas
pontiagudas me penetrarem o peito. Não
foi sangue que escorreu.
Foi algo
fino, mágico e só nosso: uma fina membrana escorrendo do peito, molhando meu
corpo como um imenso mar a me engolir.
Membrana.
Abraço. Aço. Amor.
O coração bate fraco
e descompassado agora.

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