sábado, 2 de agosto de 2014

Não, ai dói.







Não, ai dói.

Justo lá onde eu achei que não tinha mais como doer: ainda dói.

É uma dor diferente, diferente daquela que a gente consegue esconder.

É uma dor misturada com a dor antiga, mas com traços de dor nova.

Como se a lâmina dessa faca estivesse cega e ai você acha que não vai cortar, mas corta.

Meu coração esta apertado de novo.
Como eu sempre soube continua tudo lá.
No mesmo lugar de sempre. Todo o amor que eu sinto.

Ele não se foi depois das chuvas intensas, dos ventos que o castigaram,depois de tantas e tantas palavras, depois de despir cada pedacinho desse sentimento em poesia e dor... não, ele não se foi.

E eu olho para esse amor agora e me assusto como ele cresceu enquanto eu tentava curá-lo, cicatrizando uma ferida que nem mesmo fechou.

E como esse amor é bonito! Tão doce apesar de ter passado por tanto azedume.
Tão forte apesar de tantos tombos.

Todas as conexões estão lá, intactas, como se nunca tivessem sido cortados os fios lindos que nos conduzem.

Amor para mais de uma vida  não se desfaz assim.

E ai a gente fica com medo.
Muito medo de doer daquele jeito que fez a gente morrer um pouquinho e fica assim: ai não.. ai dói.

E vai devagar. E descortina o que a gente achou que conhecia tudo na palma da mão e até se surpreende... tem aquelas cores que você conhece, umas que você mesmo colocou, mas tem outras.. que você fica logo querendo conhecer mais e melhor...

Eu não quero ter medo de sofrer de novo.
Quero só sentir.

Assim como se o amor durar só o dia de hoje já bastasse por uma vida toda.
E basta.
O amor que te completa tão intensamente e que não morre mesmo

quando você o julgava enterrado.

Te alimenta. Te sacia. Te completa.
Cobre seus pedaços feios e valoriza os bonitos.
Amor assim, eu aprendi agora, não morre, apenas se recicla em intermináveis elos de um desenho sem começo ou fim.  
 

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