Não, ai dói.
Justo lá
onde eu achei que não tinha mais como doer: ainda dói.
É uma dor
diferente, diferente daquela que a gente consegue esconder.
É uma dor
misturada com a dor antiga, mas com traços de dor nova.
Como se a
lâmina dessa faca estivesse cega e ai você acha que não vai cortar, mas corta.
Meu coração
esta apertado de novo.
Como eu sempre soube continua tudo lá.
No mesmo lugar de
sempre. Todo o amor que eu sinto.
Ele não se
foi depois das chuvas intensas, dos ventos que o castigaram,depois de tantas e
tantas palavras, depois de despir cada pedacinho desse sentimento em poesia e
dor... não, ele não se foi.
E eu olho
para esse amor agora e me assusto como ele cresceu enquanto eu tentava curá-lo,
cicatrizando uma ferida que nem mesmo fechou.
E como esse
amor é bonito! Tão doce apesar de ter passado por tanto azedume.
Tão forte
apesar de tantos tombos.
Todas as
conexões estão lá, intactas, como se nunca tivessem sido cortados os fios
lindos que nos conduzem.
Amor para
mais de uma vida não se desfaz assim.
E ai a gente
fica com medo.
Muito medo de doer daquele jeito que fez a gente morrer um
pouquinho e fica assim: ai não.. ai dói.
E vai
devagar. E descortina o que a gente achou que conhecia tudo na palma da mão e
até se surpreende... tem aquelas cores que você conhece, umas que você mesmo
colocou, mas tem outras.. que você fica logo querendo conhecer mais e melhor...
Eu não quero
ter medo de sofrer de novo.
Quero só sentir.
Assim como
se o amor durar só o dia de hoje já bastasse por uma vida toda.
E basta.
O amor que te completa tão intensamente e que
não morre mesmo
quando você
o julgava enterrado.
Te alimenta.
Te sacia. Te completa.
Cobre seus pedaços feios e valoriza os
bonitos.
Amor assim,
eu aprendi agora, não morre, apenas se recicla em intermináveis elos de um
desenho sem começo ou fim.

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