sexta-feira, 15 de julho de 2011

Porra é Prosa!

Telma Castilho
 
No passado nos momentos mais tristes eu nunca chorava.
Foi assim quando minha alma amiga se foi: meu pai.
Chorava pra dentro, como dizem.
Realmente morreu alguém aqui dentro de mim: alguém que era eu mesma.
Mas não consigo velar meu eu, não consigo aceitar.
Quantas coisas nesta vida eu não consigo aceitar!
Saramago disse: “Nascer, viver e morrer. Pronto, esta acabado.
“Nos encontramos em outro sítio.”
A mais nova palavra/verbo que me lateja o peito: acabar.
Diga-me você que tanto me conhece: que pessoa nascera de mim agora?
Apresente-me a mim.
Espero cheirar a novo para que você tenha vontade de me conhecer novamente. Me aprender.
Seja como for que eu venha agora, que venha sem medo.
Que venha como o vento repentino do verão, suculenta como uma goiaba vermelha, repleta do melhor que já fui e vazia do pior que sou.
Venha mais leve, mas não menos louca que Clarice, venha com o baú abarrotado das imagens que somente captei nas lentes da retina e vorazmente que eu as transforme em realidade virtual ou palpável.
Que essas imagens comovam, encantem ou simplesmente choquem as pessoas, pois isso não gostaria de mudar em mim: quero continuar apaixonada por pessoas, quero que elas continuem sendo o meu material de vida, minha inspiração, minha razão.
Continuarei trocando o suor das pessoas por projetos científicos.
Quero continuar me apaixonando e provocando reações, reações emocionadas, reações em cadeia, reações de arrepio, sede, fome, busca,enfim: reações de estar vivo.
Definitivamente não pretendo morrer de novo nesta vida.
Agora quero tomar a vida em grandes e saciadores goles.
Perdoe-me grande mestre Saramago, eu que na maioria das vezes concordei com você!
Pois nasci, morri e renasci. Ah sim, mas ainda quero te encontrar em outro sitio, a você e as pessoas das quais o sentimento ultrapassa o conceito de tempo e espaço.

                                

Um comentário:

  1. Kayleigh Machadojulho 20, 2011

    Ta certo, passei por aqui e tenho que dizer que você me comoveu demais com esse texto. Sei como é sentir-se morta por dentro, quando isso acontece, é como andar por uma rua sem ter um destino. Eu realmente fiquei muito triste ao ler essas suas palavras porque você é uma pessoa na qual me espelho, para mim, era quase impossível acreditar que você era real, você é tão forte, tão viva, tão colorida e realmente, nesses últimos tempos sua chama apagou e eu não te contei, mas isso me matava por dentro, ver alguém que você gosta tanto sumir. Mas cara, fico tremendamente feliz por saber que vou ver uma nova pessoa nascer. Não sei como ela é, mas estou comletamente disposta a conhecê-la e a amá-la como era com a antiga você. Quero te dizer algo que um dia uma pessoa muito importante me disse: a vida é como uma planta, cuide dela e não importa o que aconteça, ela crescerá, mantenha-a sempre perto do Sol e lhe dê água, assim, não importa quantas tempestades vierem ou quantas coisas ruins lhe acontecerem, ela sempre estará ali. Então digo isso a você e peço que por favor, não suma mais, não pare de ser você, afinal, você é meu Sol.

    Kayleigh Machado

    ResponderExcluir