Hoje
foi um daqueles dias: fatais.
Aquela sensação de aperto no peito.
Aquela
intuição que é mais forte do que qualquer verdade,seja ela dita, escrita,
ouvida ou sentida.
Nunca
desprezei minhas intuições. Essa parte fêmea que latente pulsa nas
veias
de mulher ferida.
Eu
também espero. Espero também sem esperança, mas espero.
Mas
hoje, especificamente hoje, (e não é por que não fez sol ou por que
o cachorro
uivou de madrugada) eu sinto que minha espera é absurda.
Vc
esperou o final de ano para limpar as gavetas das minhas lembranças.
Elas
foram para o lixo com outras coisas que vc havia guardado por que eram
Importantes.
Hoje não mais.
Vc
colocou sua alma pra secar no sol, secar as pequenas gotículas de mim que ainda
a molhavam, quase um sereno, um orvalho.
Vc
sacudiu os tapetes junto com minhas mais lindas poesias, voaram como poeira
fina.
Aquela
sensação do meu corpo sobre o seu hoje vc tem que fechar os olhos para lembrar,
para ficar mais nítido, pois estão embasados no vidro do seu coração, como janelas
que escondem o frio lá fora.
Talvez
vc esteja fazendo muita força pra não pensar, lembrar ou sentir novamente.
Talvez
não. Talvez o dia agitado, as pessoas duras, o transito, o assassinato da flor estejam
ajudando vc a não pensar. A não sentir-me mais.
Eu
também tenho feito vida sozinha. Mas uma vida que não se vive.

"tá devendo por três" Criolo!
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