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| Saul Leiter 1958 |
Fico olhando as letras no teclado. Brinco com elas.
Finjo que vou usá-las, mas não vem...
Busco então objetos que sempre me inspiram: caderno e lápis bem apontado,
De preferência apontado com estilete.
Mas...
O chão de meu coração esta seco de palavras.
O sol castiga a pouca vegetação que ainda insiste em viver aqui.
O sol que cega os olhos. No final da tarde existe sempre a esperança de chuva.
Mas ela também não parece muito inspirada.
E os dias somam-se sol a sol. Secura a secura.
E este sol que frita meus sentidos torna tudo sem graça como que vestido de uma capa protetora de mormaço.
Eu sei que é passageiro. Aprendi a esperar sem contar os dias do calendário.
Demorei muito a aprender que esta seca vem sempre e sempre passa.
Enfrento este sol o olhando de frente e desafiando este mormaço com minhas únicas armas: a palavra, o papel, o lápis ou o rascunho digitalizado.
Recebo postais de outros que como eu também já viveram os períodos de seca e hoje transbordam em lindas palavras seus cadernos, digitais ou não, cheios de nuvens, de chuva, de ar e de vida.
Eu? Eu espero. Espero a pequena brisa leve de chuva ou um temporal, de olhos abertos desafiando o céu eu espero.
Se puderem esperem também.

Eu sempre vou esperar, mamãe, assim como você disse, sem contar os dias do calendário.
ResponderExcluirAté mesmo nas garoas mais fraquinhas, sua verdade invade minha mente com tamanha facilidade. Independente das estações, sua presença, sua imagem engendrada à minha mente...
Sabe, o poder de transformação a transcêndencia inconsciente leva tempo.
Assim como sua maravilhosa tradução vivída de suas crenças.