domingo, 9 de novembro de 2014

Mito.






Terá sido esse amor um mito? Só contado, não escrito?
Essa dor que carrego não é vicio, mas também explode pulmão.
Fico equilibrando-me na fina corda do trapézio, hora para cá, hora para lá,
tentando não cair mas desejando intimamente a liberdade da queda, que me
descolaria do corpo e então eu pudesse ver minha mente enfim liberta em
pixels coloridos.

E se tudo não passou de um mito contado para as árvores do parque, nas mesas
de bar, no quarto infecto e vulgar, na brisa, no gozo, no choro contido,banido.
Mas é tão forte e latente a tua presença aqui, dentro de mim, explode e corre por minhas veias, marca minha pele  e sangra pelos dedos.

Quem vai me guiar pela rua agora?
Quem vai me permitir a doce sensação do delírio, o andar decidido, o sorriso bobo, a certeza
de crer em algo.
Eu não pude crer no abraço de mãe.
Destilo dores como despetalar flores.
A escrita sai feia e corrida, a lápis com ponta afiada e sim estão á venda meus sonhos.
Á venda por frações minúsculas daquele amor que se foi mito me tornou personagem real.

História verídica.
Mentira que se perdoa. Lágrima que escoa.
Beijo mordido. Lábio, que sangra ferido.
Sexo proibido. Amor destruído.

Ah, se eu tivesse uma fé qualquer!
Promessas todas eu faria então.
Ah, se ainda me fosse entregue esse amor, mito ou não, sadio ou doente,
esmigalhado ou colado, por piedade ou tesão, verdadeiro ou ficção, a vida
voltaria a mim e no silêncio que tudo diz, tudo grita, então me sentiria enfim infinita.

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