quinta-feira, 17 de março de 2011

Cicatrizes do Amor Parte II

As pupilas dos seus olhos se dilatam.
Como se meu movimento joga-se uma pequena pedra no meio do seu olhar, formando ondas.
Sua voz muda de tom fica mais rouca, distante, quase um sussurro.
Encosto minha boca na sua sem beijo, como se minha boca fosse
Capaz de ouvir melhor sua boca, mais de perto.
Sinto um leve farfalhar dos pêlos de seu braço como pequenas e secas folhas de outono dançando ao vento.
Pequenos pontos de arrepio te cobrem o corpo como incontáveis estrelas.
Peço que fale.
Peço que peça.
Peço que apenas ouça.
Peço que apenas sinta.
Tudo acontece então como uma engrenagem viciada e lenta.
Lenta mas forte.
Os movimentos desta engrenagem são tão complexos e ao mesmo tempo tão precisos que me perco em pequenas passagens.
A primeira onda quente e cheia de espuma anuncia sua chegada.
Bate na pele como a areia bate na praia.
Deixa marcas, cicatrizes, e quando volta desfaz estas cicatrizes para formar outras, rabiscando no corpo desenhos incompreensíveis.
Sinto o pulsar de cada uma destas marcas e agradeço mudamente pelo prazer de carregá-las comigo infinitamente.

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